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Uma das polêmicas mais chatas do mundo é discutir o que faz alguém ser de esquerda ou de direita. Mesmo assim, eu decidi escrever um post sobre o assunto. Acho que a maior parte dos nossos 3,5 leitores não hesita em classificar o Torre de Marfim como um blog de direita, provavelmente porque muitas vezes nós descemos o sarrafo na esquerda. Neste post, por exemplo, o Idelber se referiu ao Torre como de direita, linkando uma análise do Arranhaponte sobre o artigo do defensor número um do mata e esfola no Brasil, o professor de filosofia e motorista de táxi Renato Janine Ribeiro.
A verdade é que, por mais coisa de viado que isso possa parecer, ser classificado como direitista me incomoda um pouco. Se defender a redução do tamanho do Estado, a responsabilidade fiscal e a interferência mínima do governo na economia e na vida das pessoas é ser de direita, eu não vejo problemas em ser visto como direitista.
A questão é que eu sou radicalmente contra a pena de morte, sou favorável à descriminalização das drogas, à legalização do aborto e à união civil homossexual e não acredito que o Foro de São Paulo seja uma ameaça comunista à América Latina. Com essa agenda, eu obviamente seria expulso a pontapés de muitos círculos da direita. Olavo de Carvalho me chamaria de comunista e pediria minha excomunhão.
Por tudo isso, prefiro ser visto como liberal. E em relação à dicotomia direita e esquerda? Se eu for obrigado a me definir nesses termos, eu diria que sou centrista. Eu sei, eu sei. Autodefinir-se como centrista é ridículo. Além disso, não há nada que tenha menos sex appeal do que se declarar de centro. Acho que ninguém nunca comeu uma mulher se dizendo centrista. Heidegger com certeza não teria traçado Hannah Arendt se fosse de centro
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