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Se pedir pra sambar a gente te arrebenta
Se você me permite, caro Matamoros, eu exercerei uma rara oportunidade não de discordar mas de, digamos, ehrrr, pentelhar, isto é, tecer comentários pretensamente neutros ao seu post que, na prática, procuram de forma tortuosa e subliminar colocar em questão (horrível isto, não?) os seus pontos de vista. Para começar, eu daria um apoio qualificado e sarcástico à ministra da Negritude por ter incitado a rebelião racial no Brasil. O fato de ser sarcástico, contudo, não significa uma ironia do tipo 0/1, isto é, que o que eu quero dizer é o exato contrário do que eu disser. O meu apoio seria:
1) à atitude de desagradar os defensores da tese de que as raças são todas amiguinhas no Brasil. Não vou fundamentar esta minha postura. É pura birra mesmo com a idéia de brasileirinhos alegremente cantando 'somos todos irmãos' pelas ruas. Tenho uma certa queda por bílis, especialmente em momentos de excesso de trabalho. Me agrada mais a idéia de combates sangrentos entre panteras negras e skinheads do que o Ali Kamel entregando o troféu "negro mais amiguinho do ano" no auditório do Projac
2) ao direito que todos temos de não conviver com quem não queremos conviver. Na minha leitura, a ministra do Baticumbum disse que, se um negro tem bronca de branco, ele pode legitimamente evitar o convívio com os azedinhos. É claro que, implícito no seu raciocínio, está a anti-contrapartida (matematicamente poderia virar partida, e daí dar um pulinho para parti-pris) de que os brancos não têm o mesmo direito. Isto enfraquece a tese da ministra, evidentemente. Mas já é meio caminho andado na direção de reconhecermos a antipática verdade de que a liberdade de rejeitar é um dos pilares da civilização
Paro por aqui, que nem mais eu estou me agüentando


