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abril 29, 2007

Realismo magico

Chego a Londres e vou a um cybercafe para ler sobre a patria amada. Abro a Folha e vejo duas noticias grotescas. A primeira e que Lula recebeu o grupo mexicano RBD para um churrasco no Palacio da Alvorada. Houve um jogo de futebol entre os funcionarios da presidencia e familiares de Lula e os cucarachas. O RBD ganhou de 7 a 6. A segunda diz que um juiz envolvido no escandalo atual apelou a um pai de santo para tentar receber propinas e prejudicar inimigos.

Ler sobre o Brasil do exterior fica cada vez mais surreal. A impressao e que estou lendo um daqueles romances de realismo magico mal escritos, tipo macumba para turista, como A casa dos espiritos. Nao sei se rio do ridiculo ou se realmente peco asilo politico no fim das minhas ferias - pode ser para qualquer pais. O meu sonho de ser paraguaio continua de pe

PS: A cidade em que cheguei parece Londres, mas estou em duvida se nao estou em Nova Delhi. O numero de indianos aumentou muito em relacao as duas vezes em que estive aqui. Eles estao em todos os lugares, trabalhando ou fazendo turismo



abril 28, 2007

Um outro mundo é possível

PCC.jpg
Então são eles que entendem de capitalismo?

Captei isto aqui

Já para Arthur Kroeber, diretor da Dragonomics Research & Advisory e co-editor da China Economic Quarterly, tem havido uma mudança dramática do sistema financeiro desde o início da década de 90. "Antes, o sistema era um sustentáculo da seguridade social na China. Esse mecanismo foi desmontado e hoje os bancos estão muito mais saudáveis do que já estiveram, e são perfeitamente sustentáveis".

Kroeber defende a tese de que o governo chinês fez uma escolha política ao aceitar um retorno menor para seus bancos em troca de uma taxa mais elevada de industrialização. "Isso faz todo sentido. Ainda que os bancos não consigam crescer e ser eficientes, eles são compensados por retornos altíssimos da capacidade produtiva, que pode pagar pelos custos da insolvência bancária", avalia. Segundo o analista, esse modelo é muito similar ao adotado por Japão e Coréia do Sul entre as décadas de 50 e 70, quando os bancos nacionais foram responsáveis por facilitar o crédito para empresas envolvidas na produção.

Acho que é o tipo da coisa que faz a alegria dos esquerdistas imaginativos. Ou não?



abril 24, 2007

Me tira o tubo

Depois de uma tarde maravilhosa no Jardim de Luxemburgo, eu descubro, com atraso, que Roberto Mangabeira Unger vai ser ministro da Secretaria de Acoes de Longo Prazo. Eu ja decidi: vou pedir asilo diplomatico por aqui. Tudo tem limite.

PS: Falando serio: como Lula pode convidar para ser ministro um sujeito que pediu seu impeachment em 2005 e acusou seu governo de ser o mais corrupto da historia? Como Mangabeira Unger pode aceitar o convite de um presidente a quem fez essas acusacoes? O filosofo Paulo Betti ja disse que nao se faz politica sem colocar as maos na merda, mas o Brasil esta indo longe demais



abril 21, 2007

Eles têm o que nos ensinar

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Inscrição na parede de fora do Carandolet, o palácio de governo do Equador


Não estou de sacanagem



Nosso débito com Pizarro

Local: Hotel internacional decadente isolado no centro de Lima. Restaurante no lobby. Um palco é ameaçadoramente montado na calada do dia

É a minha milésima refeição no hotel. Já perdi o saco de pegar táxis de ida e volta à zona Sul daqui toda noite, para poder comer sem ter depois de engolir três Prozacs como digestivo. Conformei-me com o destino temporário de loner, a fermentar frustrações, rejeição e ira. Há dias que só me comunico por monossílabos. Cheguei a ensaiar uns sketches macabros com a filmadora da câmara no quarto.

E eis que anunciam o show musical da noite (eu não sabia que tinha show musical), sobre os incas, antes mesmo de eu dar a primeira garfada. As luzes se apagam, e, no escuro, todos os ceviches parecem pardos.

Um grupo de emplumados sobe ao palco, subs dos subs dos subs do saudoso Clóvis Bornay, com saiotes multicoloridos em padrões de enésima categoria, chapelões idem, e, sem nem ao menos terem se dignado a raspar as pernas, começam a correr e a saltitar ao som de flautas andinas a plenos pulmões.

“O” Inca é um patagônio de Darwin, com narigão empinado, grenha negra escorrendo pelos ombros, em expressão congelada de bicha em píncaros de indignação.

Meu coração dispara, as mãos ficam geladas, a face branca. Olho em volta e tudo o que vejo são expressões japonesas de beatífica admiração. A tortura aguda da flauta andina intensifica-se, minha visão borra-se, e espectros fantasmagóricos de ornitorrincas venusianos dançam a dança da garrafa na minha frente.

E é então que alguma coisa trinca no meu eu profundo, e camadas geologicamente recalcadas vêm à tona em incontrolável erupção. Parto para cima do primeiro pescoço oriental, consciente de que nada menos do que algumas dezenas de cadáveres abrirá espaço na CNN. Mas, infelizmente, peguei a faca de peixe por engano, e tudo o que consigo é desfazer o coque de uma velha nipônica, cuja fúria, essa sim, mostra um potencial homicida compatível com os meios de comunicação de massa.

Sou conduzido por seguranças aos trancos e bofetões para fora do restaurante. Só à custa de muitas explicações e apologias, frenéticas sacudidas dos meus cartões de crédito, e frêmitas reiterações do meu comportamento até então impecável como hóspede, sou liberado e volto ao meu quarto onde, ainda trêmulo, escrevo estas palavras – um flash gotejante, de pisco sour, nos escuros porões da mente de um psicopata



abril 19, 2007

Notas de outro viajante (mais humilde)

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Basílica de Quito, também conhecida como "La Cucaracha del Cerro"


Welcome to the Roving Tower. Bienvenido a la Torre Itinerante. Como cucaracho do blog, estou nos Andes. Alguns comentários:

- Há alguma coisa com mais pinta de loser do que índio andino?

- Mas tem sua graça. No meu quarto de hotel em Quito, cidade a 2.850 metros de altitude, só dava para ver a montanha em que se sobe de teleférico (e que vai a 4 mil e cem metros, assim como quem não quer nada, como um morro mais alto do Rio, com verdinhos espalhados aqui e acolá) e um monte de nuvem. Um belo dia, ou melhor dizendo, uma bela hora, eu abro a janela e me quiedo de ojos arregalados: apareció um baita vulcão nevado no horizonte, baita mesmo, big big big, com neve do topo à base do cone. Exibiu-se por uma hora e pouco, e sumiu de novo, definitivamente, nas nuvens (e não dá para ficar reclamando de nuvem quando se está a quase 3 mil metros de altitude). Perguntei ao erudito motorista de táxi (fenômeno comum nos Andes) que raios era aquilo, e ele me explicou que era o vulcão Cotopaxi, com 5.987 metros, a 50 quilômetros de Quito. Legal olhar pela janela e ver um vulcão de 6 mil metros.

- Pode parecer estranho, mas estou achando Quito e Lima mais ordeiras e limpinhas do que Rio e São Paulo. E as pessoas mais educadas (com exceção do trânsito, o que confirma a minha tese politicamente escandalosa de que apenas umas poucas etnias conseguem verdadeiramente dirigir – e admito que isto não inclui os cariocas)

- O Centro Histórico de Quito vale a pena. Uma primeira surpresa é uma catedral neogótica, grandalhoníssima, que eles construíram no final do século XIX, vai entender por quê (e veja a foto). As igrejas barrocas são... muito barrocas. Tem gente que não gosta daquele excesso todo. Eu sei que fiquei um tempão dentro de várias delas, olhando e fotografando. Miré también pinturas e esculturas da “escola quitenha”, que, pelo que depreendi, tem como grande mérito não ser tão boa quanto a escola cusquenha, mas estar na liga das escolas em enha. Não me fez mal algum, e o jardim interno adjacente à Igreja de São Francisco (por onde se entra para o museu de arte quitenha) é de arrepiar

- O Centro de Lima, todo antigão e com muita coisa bonita, não tem nenhum camelô (qual é a palavra que vocês usam aí em São Paulo?). Nenhum mesmo, literalmente. E está tudo muito bem conservado e cuidado, mas, curiosamente, não se nota muito aquele tipo de turismo (prepare-se para vomitar) “roteiro charme”

- No Equador só circula dólar, mas as moedas são locais. Esquisito. Mas confesso que a sensação de pagar tudo em dólares em plena Cucaráchia me foi enigmaticamente reconfortadora

- Os pigmeus não estão confinados à África. Já posso afirmar - e jogo nisto todo o peso do meu currículo em bio-antropologia, aliado a uma minuciosa pesquisa de campo - que há, definitivamente, tribos de pigmeus nos Andes

- A comida peruana é ótima

Por fim, um comentário mais subjetivo e provavelmente incompreensível. Quando eu viajo por estes países latino-americanos, noto um travo de formalidade, um negócio quase antiquado, meio respeitoso e meio tímido, que é agradável e que definitivamente desapareceu no Brasil. Eu tenho certeza de que a culpa é das novelas da Globo (que também passam aqui, eu sei, mas que não viram a 'coisa nossa' deles)

PS: Por que estou nos Andes? É um projeto de pesquisa: "En busca del borogodó de Mercedes Sosa"
PS2: Eu sei que Lima não é Andes



Notas de um viajante

Cadê os japoneses? Quando eu viajei pela primeira vez à Europa em 1996, os grupos de turistas do país do Ultraman estavam em todos os lugares. Você ia a um museu, e 40% dos visitantes eram japas, quase sempre em grupos - grupos de velhos, grupos de jovens, grupos de pessoas de meia-idade. Voltei outras quatro vezes para cá, e o número de japoneses foi diminuindo, até praticamente desaparecer. Estou há poucos dias por aqui, é verdade, mas ainda nao vi nenhum japa.

Na virada do século, eu achava que a culpa pela diminuiçao do número de japoneses era da recessao nipônica, que demorou mais de uma década. Mas a recessao passou e os japas nao voltaram. Vez por outra se vê um ou outro japonês sozinho, vagando meio que perdido - nao mais em grupos, nao mais com câmeras enormes. Alguém tem idéia do que pode ter ocorrido?

Se os japoneses estao sumindo, os chineses estao chegando. Eles também costumam andar em grupos. A diferença é que sao mais silenciosos que os japas. Além disso, a maior parte nao mostra nenhuma empolgaçao com os lugares visitados. Mostre as Meninas de Velázquez ou a Notre Dame para um turista chinês e ele vai reagir com a mesma cara impassível com que come diariamente a sua porçao de arroz (eu sei, a cultura deles é diferente, mas nao dá para o sujeito pelo menos sorrir por estar em Madri ou em Paris?)

Os grupos de adolescentes sao a verdadeira praga que toma conta atualmente dos pontos turísticos na Europa. Em geral na faixa de 16 aos 21 anos, eles gritam, empurram as pessoas, tiram fotos com flash em lugares nao permitidos, fazendo questao de agir como débeis mentais. Os italianos sao disparados os mais insuportáveis. E, como ocorre na adolescência, os mais populares sao os que agem como mais retardados e têm os cabelos mais ridìculos.

Há também os grupos de idosos. Muitos, e de todas as nacionalidades. Uma parte significativa acha que dispoe de licença para fazer o que quiser: furar fila, falar alto em igrejas, brigar entre si e ser inconveniente. Quando você reclama, eles fingem nao entender, mas o sorriso irônico, de superioridade etária, mostra que eles sabem muito bem o que está ocorrendo



Essa aí foi o 9/11 do school shooting



abril 16, 2007

Eu fui às touradas de Madri

Madri está cada vez mais linda e bem cuidada. Eu vim para ficar cinco dias, mas dá para ficar cinco anos sem nenhum sacrifìcio. É um lugar perfeito para andar, comer e beber bem. Melhor ainda se você está bem acompanhado, como eu estou.

Nós não somos os únicos brasileiros a gostar de Madri. É a quarta vez que venho para a cidade, mas a primeira que noto que um produto de exportação nosso tomou conta das ruas: o travesti. No primeiro dia, nós nos deparamos com cinco, em diferentes lugares da cidade. Antes que alguém faça a piada óbvia, não foi em nenhum local suspeito. Que Paris, que nada. Ao que parece, Madri é a grande consumidora de travestis brasileiros.

Uma característica de todos os travestis brasileiros: eles falam muito alto, e muito mal. Não acertam uma concordância. Um deles entra um no cybercafé gritando no celular. Comete um erro de português a cada frase.
Perto dos travestis brasileiros, Lula é um Napoleão Mendes de Almeida



abril 10, 2007

A visita do papa

Bento163.jpg
O inimigo número um do segundo casamento

Bento 16 vem aí. Vai ser muito chato. Cada passo do papa será narrado de modo melodramático pela imprensa. Quem acha excessiva a cobertura da busca de Romário pelo milésimo gol verá o que é bom para a tosse. A visita de Bento 16 vai dominar as televisões, os jornais, as revistas.

O que acho curioso na figura do papa é a relação inversamente proporcional entre sua exposição na mídia e a adesão dos fiéis às suas idéias – não digo apenas deste papa, mas de qualquer um. Veja a polêmica sobre o segundo casamento. A opinião de Bento 16 de que se trata de uma praga (uma chaga?) foi discutida por semanas, mas é óbvio que quase ninguém - ou melhor, ninguém - vai deixar de se separar por causa das palavras do papa.

A questão é que seguir o catolicismo à risca é muito difícil, sem falar que torna a vida muito chata, a não ser que você ache que sexo é mesmo apenas para procriação. Uma pesquisa do Datatorre mostra que há atualmente nove pessoas no mundo todo vivendo de acordo com todas as regras do catolicismo. Uma delas é uma velhinha de 85 anos que mora no interior de Portugal e está em coma desde 1963.

Mas se a visita de Bento 16 vai ser chata, pense como seria pior se o papa fosse brasileiro. Quando surgiram rumores de que dom Cláudio Hummes poderia ser o sucessor de João Paulo II, eu tremi na base. Em vez de uma, nós teríamos dezenas de Ilzes Scamparinis, dia e noite na Praça de São Pedro, comentando cada passo do papa brasileiro. O clima de ufanismo seria insuportável. Melhor que o papa seja Bento 16. Uma Ilze Scamparini é mais do que suficiente



abril 04, 2007

Brasileiros

GetúlioVargas3.jpg
Este é o cara

Como todo mundo já deve ter visto, a Folha fez uma enquete com 200 personalidades para definir quem foi o maior brasileiro de todos os tempos. Deu Getúlio Vargas na cabeça. O ditador que torturou, matou e desrespeitou a liberdade de expressão é o cara. Em segundão, Juscelino Kubitschek, o homem que comandava um país de analfabetos e sem saneamento básico e decidiu que o negócio mesmo era mudar a capital do Rio de Janeiro para o meio do nada.

É provável que a maior parte dos eleitores tenha escolhido Getúlio Vargas não por considerá-lo um sujeito admirável, mas por acreditar que ele foi o brasileiro mais importante da história. O economista Yoshiaki Nakano, por exemplo, justificou seu voto no ditador dizendo que ele promoveu a transição do Brasil agrícola para o Brasil urbano.

Esse tipo de raciocínio sempre me incomodou. Não sou historiador ou economista, mas veja bem: a modernização do Brasil não foi obra de um só homem; mudanças estruturais mais profundas estavam em curso no país quando Getúlio Vargas assumiu o poder. Se ele comandou essa transição do Brasil agrícola para o Brasil urbano, isso só foi possível porque as condições históricas e econômicas assim o permitiram. Não quero, com isso, subestimar a importância do indivíduo na História, mas me parece claro que as mudanças promovidas por Getúlio Vargas foram possibilitadas pelo contexto histórico e econômico. Se não fosse esse contexto, as mudanças que Nakano atribui ao ditador simplesmente não teriam ocorrido.

Alguém poderá dizer que, sem Getúlio Vargas, as transformações demorariam muito mais tempo. É uma possibilidade. Mas também é possível que, sem Getúlio Vargas, o país não tivesse que passar por uma ditadura como o Estado Novo.

A lista da Folha traz outras informações interessantes. O voto revela muito do caráter do eleitor. José Dirceu votou em Lula, assim como os sindicalistas Jair Meneguelli e José Lopez Feijóo. Outro exemplo de voto edificante foi o do Pai Pérsio de Xangô, que escolheu a Mãe Menininha do Gantois. É o primeiro caso de afrocorporativismo místico que eu conheço.

Paulo Skaf e Cildo Meireles, entre outros, votaram no povo. Essa abstração sempre disposta a ouvir música ruim, assistir novela e apoiar a pena de morte também recebeu o voto de três publicitários: Celso Loducca, Nizan Guanaes e Fábio Fernandes. Na enquete da Folha na internet, o povo lidera com folga.

Mas os meus dois votos preferidos são outros. O primeiro é o do empresário Emílio Odebrecht, que escolheu "os povos indígenas" como "o maior brasileiro de todos os tempos". O segundo é o de Márcio Cypriano, presidente do Bradesco. Ele votou em Amador Aguiar, fundador, para quem não sabe, do Bradesco. Isso é que é prova de coragem




abril 02, 2007

Carga nem tão pesada

frase_de_caminhao3.JPG
Pelas estradas da Toscana, não me arrisco na banguééééééla


Se Henry James fosse caminhoneiro, acho que estas seriam algumas das frases que ele colocaria no pára-choques. Eu admito que a maioria é meio comprida, mas convenhamos que para o Henry James elas representam um comovente esforço de síntese e simplicidade. Como eu sou um ignorantão de poucas leituras, todos as frases foram pinçadas de Portrait of a Lady. Imagino que, garimpando o conjunto da obra, daria para garantir mensagens para toda a frota de caminhões do Sudeste brasileiro. Segue, sem tradução, porque eu não sou pago pra isto

One of the disadvantages of expressing contempt is that you cannot enjoy at the same time the credit of expressing sympathy

Money's a horrid thing to follow, but a charming thing to meet

When a friendship ceases to grow it immediately begins to decline

The sense of success - the most agreeable emotion of the human heart

Justice to a lovely being is after all a florid sort of sentiment

That's the supreme good fortune: to be in a better position for appreciating people than they are for appreciating you



Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


Links

* Alexandre Soares Silva
* Chá das Cinco
* Diacrônico
* Filthy McNasty
* FYI
* JP Coutinho
* Manobra, 1979
* Número 12
* puragoiaba
* Roma Dewey


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