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O inimigo número um do segundo casamento
Bento 16 vem aí. Vai ser muito chato. Cada passo do papa será narrado de modo melodramático pela imprensa. Quem acha excessiva a cobertura da busca de Romário pelo milésimo gol verá o que é bom para a tosse. A visita de Bento 16 vai dominar as televisões, os jornais, as revistas.
O que acho curioso na figura do papa é a relação inversamente proporcional entre sua exposição na mídia e a adesão dos fiéis às suas idéias – não digo apenas deste papa, mas de qualquer um. Veja a polêmica sobre o segundo casamento. A opinião de Bento 16 de que se trata de uma praga (uma chaga?) foi discutida por semanas, mas é óbvio que quase ninguém - ou melhor, ninguém - vai deixar de se separar por causa das palavras do papa.
A questão é que seguir o catolicismo à risca é muito difícil, sem falar que torna a vida muito chata, a não ser que você ache que sexo é mesmo apenas para procriação. Uma pesquisa do Datatorre mostra que há atualmente nove pessoas no mundo todo vivendo de acordo com todas as regras do catolicismo. Uma delas é uma velhinha de 85 anos que mora no interior de Portugal e está em coma desde 1963.
Mas se a visita de Bento 16 vai ser chata, pense como seria pior se o papa fosse brasileiro. Quando surgiram rumores de que dom Cláudio Hummes poderia ser o sucessor de João Paulo II, eu tremi na base. Em vez de uma, nós teríamos dezenas de Ilzes Scamparinis, dia e noite na Praça de São Pedro, comentando cada passo do papa brasileiro. O clima de ufanismo seria insuportável. Melhor que o papa seja Bento 16. Uma Ilze Scamparini é mais do que suficiente


