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O meu fascínio por línguas só não é maior do que minha preguiça em aprendê-las. Estudei inglês e italiano, me viro razoavelmente nas duas, mas não as domino como gostaria. Se eu tomar vergonha na cara, vou aprender francês neste ano. Cheguei a uma idade em que consigo aprender apenas línguas latinas.
Alemão, por exemplo, me parece intransponível. A gramática é muito complicada e a sonoridade é muito feia. A língua só me parece adequada para xingar – frase que certamente vai me custar uma discussão com um grande amigo.
Mas, perto do húngaro, alemão é coisa de jardim da infância. Eu já tinha lido muitas vezes que o idioma é impenetrável, mas só tive total consciência disso nas minhas férias, quando passei alguns dias em Budapeste.
O som do húngaro, por exemplo, não se parece com o de nenhuma outra língua que eu já tenha ouvido (dizem que há semelhanças com o finlandês, mas os meus conhecimentos do idioma de Mika Hakkinen estão um pouco enferrujados). No hotel, eu assisti hipnotizado a trechos de telejornais e filmes, tentando entender uma palavra que fosse. Por longos minutos, não aparecia nenhuma palavra remotamente identificável – de vez em quando, mas muito de vez em quando mesmo, surgia alguma de origem latina, como informació. Nas ruas, eu via as crianças e ficava fascinado por elas conseguirem falar fluentemente uma língua tão complicada.
Mas nada bate a grafia das palavras. Quase nenhuma vogal, muitas consoantes, e muitos, muitos, muitos acentos e tremas. Abundam palavras quilométricas. Você abre um livro escrito em húngaro e jura que imprimiram páginas e páginas datilografadas a esmo*.
A complicação não se resume ao som e à grafia. Paulo Rónai, que nasceu na Hungria, disse que a gramática do húngaro é "um emaranhado de opacos labirintos”. Uma definição bonita - e um sinal de que nesse labirinto é melhor não tentar entrar
* Está duvidando? Veja este trecho que eu escolhi aleatoriamente do site de Budapeste: A honfoglaló magyarok a Kárpát-medencét a IX. század végén vették birtokukba. A fejedelmi törzs Árpád vezetésével az ország e természetes földrajzi központján Aquincumot választotta szálláshelyül. A honfoglaló vezért, Árpád fejedelmet, 907-ben a római kori város romjai közelében temették el. A honfoglaló magyarok szláv-bolgár népeket találtak a folyam két partján.


