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O defensor do matrimônio casto
Bento 16 já não está mais entre nós. Em pouco tempo, sua mensagem anacrônica e obscurantista será em grande parte esquecida, o que é bom. Cheguei ao Brasil apenas no domingo, mas acompanhei à distância, pela internet, os pronunciamentos do papa. Como era de se esperar, a mesma ladainha reacionária. A glorificação da virgindade, a condenação do uso de anticoncepcionais e do aborto, a defesa da castidade – mesmo dentro do matrimônio, o que quer que isso signifique.
Não, não quero ensinar ao papa como ele deve comandar uma “instituição que tem mais de dois milênios de história”, como diz o clichê. Se ele acredita que os católicos só devem fazer sexo na primeira quinta-feira dos meses com 29 dias, o problema é dele e dos fiéis.
O que me incomoda é que a Igreja não pára de jogar seu peso político, infelizmente ainda não desprezível, para influenciar a vida pública e tentar impor sua visão de mundo obscurantista e anticientífica. Que história é essa de propor a volta do ensino religioso nas escolas públicas? E como respeitar uma instituição que faz o possível para atrapalhar o progresso científico, como no caso da crítica ao uso de células-tronco embrionárias em pesquisas?
Outro detalhe lamentável da visita de Bento 16 é que ele veio ao Brasil para canonizar Frei Galvão. O papa intelectual sancionou mais um culto obscurantista, que explora a fé de pessoas ignorantes. Pelo que eu vi, católicos mais intelectualizados silenciaram sobre essa parte da viagem, possivelmente por constrangimento.
No vôo para São Paulo, havia uns quatro padres. Não era difícil adivinhar a orientação sexual dos sacerdotes. Um deles tinha cabelos pintados, acredite. Padre pode pintar cabelo? Quando eu leio sobre padres homossexuais, não consigo deixar de sentir nojo da pregação moralista e hipócrita da igreja em defesa da virginidade e da condenação ao amor que não ousa dizer seu nome. Isso sem mencionar os casos, que não são poucos, de padres pedófilos.
A igreja católica vai aos poucos perdendo fiéis. Muitos vão para as igrejas evangélicas, em geral máquinas de ganhar dinheiro. Talvez a troca seja pior. Mas também há católicos que deixam a igreja e abandonam qualquer tipo de crença religiosa, optando pelo agnosticismo ou ateísmo. É um movimento saudável, ainda que tímido. E não será a visita de Bento 16 que vai deter esse processo


