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junho 28, 2007
Projeto Dercy-Oscar
junho 27, 2007
Novas versões de velhos ditados

O Mangabeira Unger não entra! Aqui é só pra escroto que sabe o que está
fazendo
De boas intenções, o Inferno está de saco cheio

O Mangabeira Unger não entra! Aqui é só pra escroto que sabe o que está
fazendo
De boas intenções, o Inferno está de saco cheio
junho 21, 2007
O comunista kitsch

Sangra, sangra hemorragia
Oscar Niemeyer faz 100 anos. Ele só não é mais velho que suas idéias políticas, que datam do Cenozóico, de acordo com estimativas conservadoras. Em homenagem aos 100 anos do comunista mais amado do Brasil, eu desenvolvi dois projetos de documentário sobre o velhinho bon vivant. O primeiro é sobre sua obra arquitetônica: Niemeyer, 100 anos a serviço do kitsch. O que é Brasília se não o kitsch em seu grau mais desenvolvido? O Memorial da América Latina, com aquela mão aberta e sangrando o mapa da região, é de um mau gosto quase sem precedentes.
O outro documentário vai abordar a coerência política de Niemeyer. Eu tenho apenas uma dúvida quanto ao título: Stalinismo no cu dos outros é refresco ou O stalinismo é um humanismo. Niemeyer tem uma visão de mundo bastante sofisticada. Como não liga para coisas como genocídio - o que são 20 milhões de pessoas se o sujeito é de esquerda? -, ele coloca tipos como Stálin num patamar bem acima de crápulas como Fernando Henrique, que cometeram o crime supremo de serem neoliberais.
Mas eu não tenho nenhuma esperança de conseguir realizar os documentários. Em primeiro lugar, porque ninguém se disporia a financiar projetos como esses. Nenhuma estatal teria coragem de colocar dinheiro em filmes que falem mal de Niemeyer, e filme brasileiro hoje sem dinheiro de estatal é como enterro de anão. Ninguém sabe, ninguém viu. Segundo, porque haveria no máximo uns 100 brasileiros dispostos a assisti-los. É mais provável Niemeyer criticar Stálin do que esses documentários saírem do papel e se tornarem um sucesso de público
PS: Este texto se baseia em parte num comentário feito neste post do Hermenauta

Sangra, sangra hemorragia
Oscar Niemeyer faz 100 anos. Ele só não é mais velho que suas idéias políticas, que datam do Cenozóico, de acordo com estimativas conservadoras. Em homenagem aos 100 anos do comunista mais amado do Brasil, eu desenvolvi dois projetos de documentário sobre o velhinho bon vivant. O primeiro é sobre sua obra arquitetônica: Niemeyer, 100 anos a serviço do kitsch. O que é Brasília se não o kitsch em seu grau mais desenvolvido? O Memorial da América Latina, com aquela mão aberta e sangrando o mapa da região, é de um mau gosto quase sem precedentes.
O outro documentário vai abordar a coerência política de Niemeyer. Eu tenho apenas uma dúvida quanto ao título: Stalinismo no cu dos outros é refresco ou O stalinismo é um humanismo. Niemeyer tem uma visão de mundo bastante sofisticada. Como não liga para coisas como genocídio - o que são 20 milhões de pessoas se o sujeito é de esquerda? -, ele coloca tipos como Stálin num patamar bem acima de crápulas como Fernando Henrique, que cometeram o crime supremo de serem neoliberais.
Mas eu não tenho nenhuma esperança de conseguir realizar os documentários. Em primeiro lugar, porque ninguém se disporia a financiar projetos como esses. Nenhuma estatal teria coragem de colocar dinheiro em filmes que falem mal de Niemeyer, e filme brasileiro hoje sem dinheiro de estatal é como enterro de anão. Ninguém sabe, ninguém viu. Segundo, porque haveria no máximo uns 100 brasileiros dispostos a assisti-los. É mais provável Niemeyer criticar Stálin do que esses documentários saírem do papel e se tornarem um sucesso de público
PS: Este texto se baseia em parte num comentário feito neste post do Hermenauta
Modesta Proposta*

O sem jeito mandou lembranças para vocês também
* Matamoros desbravou antes de mim o filão das modestas propostas, bem mais no espírito de Swift, reconheço
O sem jeito mandou lembranças para vocês também
* Matamoros desbravou antes de mim o filão das modestas propostas, bem mais no espírito de Swift, reconheço
junho 19, 2007
Sport Club MST

Corintiano, maloqueiro e sofredor
Eu acabo de descobrir que três dirigentes da Gaviões da Fiel participaram do 5.º Congresso do MST, realizado em Brasília, na semana passada. Um deles atende pela alcunha de Monga. O sujeito deu uma entrevista ao site do movimento comandado por João Pedro Stédile e outros manés metidos a revolucionários.
Segundo Monga, “as lutas dos trabalhadores têm pontos em comum e o inimigo é o mesmo”. A reportagem mostra que Monga é um corintiano engajado e, ao que tudo indica, marxista: “Prestamos atenção no eixo rural, porque os trabalhadores estão deixando o campo e migrando para as cidades, que hoje acumulam gente e não oferecem emprego”. Eu pago uma boa grana se essa frase não tiver sido inventada – corintiano da Gaviões dizendo que presta atenção no eixo rural não dá para engolir.
Para os mais apocalípticos, é possível que a proximidade da Gaviões da Fiel com o MST seja o ovo da serpente, marcando a aliança entre o lúmpen proletariado e os miseráveis do campo – ou, como diz a própria reportagem do site, “a participação de Monga é um sinal de articulação que volta a ser feita entre o operariado e o campesinato”. Além disso, integrantes da Gaviões da Fiel também participam de cursos de formação do MST.
Mas calma, senhores. Não há o menor risco de essa aliança evoluir para algo perigoso. O máximo que pode ocorrer, no caso do MST, é aumentar o número de corintianos manguaceiros nos assentamentos de sem terra. A Gaviões da Fiel vai é avacalhar o MST. Eu não duvido que o Stédile abandone a luta e vire um fanático pinguço que chora no domingo quando o Curíntia perde.
Também não vejo nenhuma possibilidade de o MST influenciar a Gaviões da Fiel. A torcida não vai se tornar a vanguarda revolucionária em São Paulo. A não ser que você acredite que o MST vai convencer os maloqueiros de que a falta de títulos do Corinthians é culpa da burguesia

Corintiano, maloqueiro e sofredor
Eu acabo de descobrir que três dirigentes da Gaviões da Fiel participaram do 5.º Congresso do MST, realizado em Brasília, na semana passada. Um deles atende pela alcunha de Monga. O sujeito deu uma entrevista ao site do movimento comandado por João Pedro Stédile e outros manés metidos a revolucionários.
Segundo Monga, “as lutas dos trabalhadores têm pontos em comum e o inimigo é o mesmo”. A reportagem mostra que Monga é um corintiano engajado e, ao que tudo indica, marxista: “Prestamos atenção no eixo rural, porque os trabalhadores estão deixando o campo e migrando para as cidades, que hoje acumulam gente e não oferecem emprego”. Eu pago uma boa grana se essa frase não tiver sido inventada – corintiano da Gaviões dizendo que presta atenção no eixo rural não dá para engolir.
Para os mais apocalípticos, é possível que a proximidade da Gaviões da Fiel com o MST seja o ovo da serpente, marcando a aliança entre o lúmpen proletariado e os miseráveis do campo – ou, como diz a própria reportagem do site, “a participação de Monga é um sinal de articulação que volta a ser feita entre o operariado e o campesinato”. Além disso, integrantes da Gaviões da Fiel também participam de cursos de formação do MST.
Mas calma, senhores. Não há o menor risco de essa aliança evoluir para algo perigoso. O máximo que pode ocorrer, no caso do MST, é aumentar o número de corintianos manguaceiros nos assentamentos de sem terra. A Gaviões da Fiel vai é avacalhar o MST. Eu não duvido que o Stédile abandone a luta e vire um fanático pinguço que chora no domingo quando o Curíntia perde.
Também não vejo nenhuma possibilidade de o MST influenciar a Gaviões da Fiel. A torcida não vai se tornar a vanguarda revolucionária em São Paulo. A não ser que você acredite que o MST vai convencer os maloqueiros de que a falta de títulos do Corinthians é culpa da burguesia
junho 15, 2007
O império do efêmero

Come um rozfeijão, minha filha
É tempo de moda, pelo que eu vi na televisão. Há mil programas sobre o Fashion Rio e a São Paulo Fashion Week. O GNT chega a transmitir desfiles ao vivo. Vi alguns. A experiência é curiosa. As roupas em geral são ridículas, embora eu tenha visto algumas que me pareceram bonitas e, mais do que isso, usáveis. Mas não lembro de quem eram – nem as ridículas, nem as bonitas. Fique tranqüilo, leitor. Este ainda é um blog macho. O signatário, embora seja freqüentador assíduo da Galeria Ouro Fino, não vai comentar as tendências da moda brasileira.
O que me chamou a atenção foram duas outras coisas. Primeiro, a magreza das mulheres. Sim, eu sei que o padrão feminino para desfiles é outro, que as modelos têm que ser altas e magras, mas o negócio está indo longe demais. Muitas têm o joelho mais grosso do que a coxa e aquela cara de quem come 500 calorias por semana. Não estou pedindo a Viviane Araújo na passarela, mas o pessoal não pode escalar pelo menos algumas modelos que tenham cara de gente saudável? É isso que dá um mundinho em que o padrão de beleza feminino é ditado por sujeitos que têm bucetofobia.
Além do visual etíope das modelos, também é muito interessante a cobertura do GNT. Eu assisti um desfile da São Paulo Fashion Week, apresentado ao vivo pela Lilian Pacce, que foi comentado pelo próprio estilista. O mais curioso é que ele gostou do que viu. É como se o Galvão Bueno convidasse o Dunga para analisar as partidas da seleção durante os jogos.
Mas a babação de ovo não pára por aí. Na cobertura do Fashion Rio, Cristiane Niklas não se agüentou depois de um desfile, e mandou a repórter dizer ao estilista que ela tinha adorado. Num outro dia, ela apareceu com um vestido de uma coleção que tinha sido apresentado na véspera. Vai ter isenção jornalística assim lá no inferno
PS: Eu usei como base para este texto um comentário que fiz neste post do Shoe me!

Come um rozfeijão, minha filha
É tempo de moda, pelo que eu vi na televisão. Há mil programas sobre o Fashion Rio e a São Paulo Fashion Week. O GNT chega a transmitir desfiles ao vivo. Vi alguns. A experiência é curiosa. As roupas em geral são ridículas, embora eu tenha visto algumas que me pareceram bonitas e, mais do que isso, usáveis. Mas não lembro de quem eram – nem as ridículas, nem as bonitas. Fique tranqüilo, leitor. Este ainda é um blog macho. O signatário, embora seja freqüentador assíduo da Galeria Ouro Fino, não vai comentar as tendências da moda brasileira.
O que me chamou a atenção foram duas outras coisas. Primeiro, a magreza das mulheres. Sim, eu sei que o padrão feminino para desfiles é outro, que as modelos têm que ser altas e magras, mas o negócio está indo longe demais. Muitas têm o joelho mais grosso do que a coxa e aquela cara de quem come 500 calorias por semana. Não estou pedindo a Viviane Araújo na passarela, mas o pessoal não pode escalar pelo menos algumas modelos que tenham cara de gente saudável? É isso que dá um mundinho em que o padrão de beleza feminino é ditado por sujeitos que têm bucetofobia.
Além do visual etíope das modelos, também é muito interessante a cobertura do GNT. Eu assisti um desfile da São Paulo Fashion Week, apresentado ao vivo pela Lilian Pacce, que foi comentado pelo próprio estilista. O mais curioso é que ele gostou do que viu. É como se o Galvão Bueno convidasse o Dunga para analisar as partidas da seleção durante os jogos.
Mas a babação de ovo não pára por aí. Na cobertura do Fashion Rio, Cristiane Niklas não se agüentou depois de um desfile, e mandou a repórter dizer ao estilista que ela tinha adorado. Num outro dia, ela apareceu com um vestido de uma coleção que tinha sido apresentado na véspera. Vai ter isenção jornalística assim lá no inferno
PS: Eu usei como base para este texto um comentário que fiz neste post do Shoe me!
junho 09, 2007
Teorias esdrúxulas I

Eles vão invadir sua praia
Sim, eu crio teorias esdrúxulas durante 80% do tempo acordado. Se eu pudesse vender cada Tractatus Logico-Esdruxulus que concebo por 2 reais, já seria milionário. Uma das últimas teorias do meu manancial é a que segue:
(Aviso: teorias esdrúxulas devem ser vazadas em texto esdrúxulo, desde os mais ínfimos albores)
Cena 1 – Piauí profundo
A palavra Piauí evoca alternadamente visões de atraso mesozóico e de pretensão editorial-intelectual. Bem, eu estive no Piauí real, onde congracei com a força telúrica da nossa terra e da nossa gente (opss). Num remoto trato de sertão piauiense, ouvi dos capiaus que outrora houvera veados lá* (o bicho, não a bicha). Em seguida, dois brocoiós me explicaram por que desapareceram os cervídeos. Como eu não sou Guimarães Rosa, não encherei sacos recriando a linguagem matuta. Conto em português de manual de Imposto de Renda o que os catimbós me revelaram.
Segundo os capa-bodes, a extinção dos veados na região deveu-se à caça sistemática, obsessiva, impiedosa e exterminadora, movida pelos cafumangos desde tempos imemoriais. A coisa funciona assim: se por acaso um pobrezinho de um veadinho sobrevivente e desgarrado surge lá por aquelas terras, os mocorongos formam-se em bandos e perseguem o coitadinho dia e noite, atravessando fazendas, florestas, rios e serras, abandonando trabalhos, afazeres e famílias, até encontrarem e darem cabo da vítima, que em questões de minutos é estraçalhada e devorada pela malta de capurreiros. Não há a menor chance de que convivam, lá por aquelas bandas, humanos e veados. Os primeiros sempre matam quantos haja dos últimos num raio de 500 a 1000 quilômetros.

Eles vão invadir sua praia
Sim, eu crio teorias esdrúxulas durante 80% do tempo acordado. Se eu pudesse vender cada Tractatus Logico-Esdruxulus que concebo por 2 reais, já seria milionário. Uma das últimas teorias do meu manancial é a que segue:
(Aviso: teorias esdrúxulas devem ser vazadas em texto esdrúxulo, desde os mais ínfimos albores)
Cena 1 – Piauí profundo
A palavra Piauí evoca alternadamente visões de atraso mesozóico e de pretensão editorial-intelectual. Bem, eu estive no Piauí real, onde congracei com a força telúrica da nossa terra e da nossa gente (opss). Num remoto trato de sertão piauiense, ouvi dos capiaus que outrora houvera veados lá* (o bicho, não a bicha). Em seguida, dois brocoiós me explicaram por que desapareceram os cervídeos. Como eu não sou Guimarães Rosa, não encherei sacos recriando a linguagem matuta. Conto em português de manual de Imposto de Renda o que os catimbós me revelaram.
Segundo os capa-bodes, a extinção dos veados na região deveu-se à caça sistemática, obsessiva, impiedosa e exterminadora, movida pelos cafumangos desde tempos imemoriais. A coisa funciona assim: se por acaso um pobrezinho de um veadinho sobrevivente e desgarrado surge lá por aquelas terras, os mocorongos formam-se em bandos e perseguem o coitadinho dia e noite, atravessando fazendas, florestas, rios e serras, abandonando trabalhos, afazeres e famílias, até encontrarem e darem cabo da vítima, que em questões de minutos é estraçalhada e devorada pela malta de capurreiros. Não há a menor chance de que convivam, lá por aquelas bandas, humanos e veados. Os primeiros sempre matam quantos haja dos últimos num raio de 500 a 1000 quilômetros.
Cena 2 – Búzios, praia dos Ossos
Dois nativos conversam ao pé de uma frondosa árvore. Eu me aproximo, curioso, porque noto um tom de certo maravilhamento nas suas vozes. Apontando para algo que tudo indica se tratar de uma pomba no galho da árvore, eles se impressionam com a desfaçatez do bicho de deixar-se ficar assim tão despreocupadamente num ambiente apinhado de seres humanos. Rápidas explicações me fazem entender que aquilo não é um pombo do tipo urbano, rato voador, mas sim uma autêntica pomba-rola (não confundir com a rolinha, que é um passarinho), mais afeita às nossas matas e aos nossos campos. Numa segunda e atenta inspeção, noto que de fato o bicho acima é diferente da vulgar pomba de praça, tendo um quê de esbeltez e de brio nas linhas fluidas, o que trai uma estirpe mais racée. Mas o que fascina os minhocos é a tranqüilidade da criatura, que chega a pousar no chão de paralelepípedos, e a ciscar toda serelepe até a proximidade das pontas dos seus pés. E eles me explicam o porquê do espanto. É que, quando eram crianças, não havia pomba-rola num raio de 50 quilômetros da vila de Búzios, porque os bichos eram caçados e dizimados freneticamente, numa campanha de extermínio de chocar nazista, zulu e mongol. As pomba-rolas fugiam mais dos seres humanos do que católico de xereca (com exceção das que são disponibilizadas nos cânones do casamento casto). Daí a surpresa dos caiçaras com o comportamento descontraidão, com a non-chalance da pomba rola.
E, por fim, heideggerianamente, a teoria em si (pode chamar de coisa):
É simples. Antigamente, quando todos éramos jecas famintos, as crianças e os adultos tinham uma atitude em relação à natureza – e me refiro especialmente aos bichos comestíveis – não muito diferente daquela que os 300 de Esparta demonstraram ante os seus inimigos persas. Matar, matar e matar – este era o nosso lema. A civilização contemporânea trouxe, todavia, novos hábitos, e a fúria caçadora amainou-se. Já não somos os serial killers de outras espécies que fomos em passadas eras (e os aborígenes do Piauí, mencionados acima, são a exceção que confirma a regra). Refestelados em nossas poltronas, empanturrados com a super-produção do moderno agribusiness, manipulamos o controle remoto com as mesmas mãos que outrora empunhariam bodoques e espingardas na Grande Campanha Geral de Extermínio de Todo Ser Movente e Comestível. Os catastrofistas ambientais, portanto, estão inteiramente enganados, e Gaia vive neste momento um esplendoroso repovoamento de animais de duas e quatro pernas, de penas e de pelos, da terra, das águas e dos céus. É como se a Arca de Nóe tivesse atracado na Praça Mauá, e a bicharada saísse em desfile pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro.
Tudo bem, isto não está exatamente acontecendo. Mas há ubíquos sinais de que um processo mais ou menos assim está em marcha. Cito apenas os exemplos mais conspícuos:
- a pomba-rola em Búzios
- onças invadem cidades em São Paulo (e não acreditem na lorotinha de que isto não significa que está nascendo mais felino do que chuchu na serra)
- um leão vem sendo perseguido na região de Vassouras, a menos de 200 quilômetros do Rio
- micos abundam em prédios do Rio nos bairros do Jardim Botânico e da Gávea
- Patos aproximados (mergulhões, se é que você me entende) e capivaras de quatro costados reaparecem na lagoa Rodrigo de Freitas, na zona Sul do Rio
- a raríssima variante beneditina do picapau faz uma emocionante rentrèe no Jardim Botânico do Rio, com direito a citação na coluna do Ancelmo
Conclusão:
É célebre o fato de que apenas nas modernas viagens espaciais, quando se constatou um lapso de segundos (ou seriam frações de segundos? ou seriam minutos?) entre o tempo decorrido dentro das naves e aquele vivido pelos que aqui ficaram, na Terra, viu-se confirmada uma das hipóteses da teoria da relatividade, de que as enormes velocidades comprimem o tempo (ou seria o contrário?).
De qualquer forma, o que importa aqui é reiterar que uma boa teoria deve estabelecer previsões que, se acertadas, a confirmem.
No caso da minha teoria esdrúxula nº 1, fica desde já previsto que:
- Um belo dia você será acordado com lambidas de tamanduá-bandeira
- Araras azuis esvoaçantes tornarão ainda mais infernal o trânsito na hora do rush na Avenida Rebouças (por alguma estranha razão, elas voarão muito perto do solo, e se chocarão seguidamente contra os pára-brisas dos carros)
- Encontrar um sagüi na cadeira de trabalho pela manhã não será mais uma ocorrência bizarra; expulsar os micos de cima da mesa tornar-se-á uma tarefa rotineira
- Tropeções em jabutis elevarão o número de internações de idosos com ossos quebrados no sistema público de saúde; surfistas se queixarão das tartaguras que crowdeiam as ondas e dificultam as manobras
Eu já estabeleci minhas credenciais proféticas com as previsões arranhapônticas. Me aguardem
* Sugestão de exercício eufônico: experimente diversas combinações com “houvera”, “outrora”, “veados” e “lá”, até achar a melhor opção (Houvera outrora veados lá?; Outrora houvera lá veados”; Veados lá outrora houvera?, etc)
junho 06, 2007
O lado chato da força

Pipi na cama jedi não deve fazer
Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, começou uma das sagas mais chatas de todos os tempos. Sim, eu falo de Guerra nas estrelas, que fez 30 anos em maio. De fã de ficção científica eu espero qualquer coisa, mas eu confesso que mesmo assim o sucesso da série sempre me espantou.
Vamos começar pelos atores. Como é que alguém pode escolher alguém tão sem carisma como Mark Hamill para ser Luke Skywalker? É o fim da picada. Hamill é o típo perfeito para ser coadjuvante de novela das seis, nunca para ser herói de saga intergaláctica.
Carrie Fischer como princesa Leia também foi uma escolha péssima. Ela só perde para a baranga Margot Kidder, que fez Lois Lane em Super-Homem. E aquele cabelo? Que coisa horrorosa – aliás, lembro sempre de uma frase de Caetano Veloso sobre Guerra nas estrelas, acho que na época das comemorações dos 20 anos do filme: “A princesa Leia era uma chata, com aquele cabelo”, disse ele, depois de explicar que não era um grande fã de Guera nas estrelas. Pelo menos dessa vez, Caetano acertou.
Outra coisa que me irrita é aquele papo de nerd sobre a Força e o lado negro da Força. Foi para isso que Joseph Campbell prestou consultoria a George Lucas? É muita frescura.
Yoda é um capítulo à parte. O sujeitinho verde que parece vítima de radiação passa a saga inteira dizendo clichês que deixariam Içami Tiba constrangido. Para ficar ainda mais grotesco, há cenas em que o bichinho de 66 cm de altura aparece lutando com o sabre de luz. Mas há algo pior: o jeito de Yoda falar, meio que de trás para frente. Ridículo ele é.
Eu também nunca entendi a fixação de George Lucas por bichinhos fofinhos, como os Ewoks, ou bichos escrotos, como Jabba the Hutt. Aliás, O retorno de Jedi bate todos os recordes de ridículo exatamente por causa dos Ewoks. Os bichinhos fofinhos, armados de arco e flecha, têm participação decisiva na derrota do Império. É mais ou menos como o Mike Tyson tomar um cacete de um ursinho de pelúcia. Até fãs de Guerra nas estrelas consideram a participação dos Ewoks algo constrangedor.
Dos seis filmes, vi quatro: Guerra nas estrelas, O Império contra-ataca, O retorno de Jedi e A ameaça fantasma. O único razoável é O império contra-ataca, e não é uma maravilha. Embora eu tenha assistido trechos dos outros dois, eu desisti de vez da saga quando vi Jar Jar Binks em A ameaça fantasma. Tudo tem limite

Pipi na cama jedi não deve fazer
Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, começou uma das sagas mais chatas de todos os tempos. Sim, eu falo de Guerra nas estrelas, que fez 30 anos em maio. De fã de ficção científica eu espero qualquer coisa, mas eu confesso que mesmo assim o sucesso da série sempre me espantou.
Vamos começar pelos atores. Como é que alguém pode escolher alguém tão sem carisma como Mark Hamill para ser Luke Skywalker? É o fim da picada. Hamill é o típo perfeito para ser coadjuvante de novela das seis, nunca para ser herói de saga intergaláctica.
Carrie Fischer como princesa Leia também foi uma escolha péssima. Ela só perde para a baranga Margot Kidder, que fez Lois Lane em Super-Homem. E aquele cabelo? Que coisa horrorosa – aliás, lembro sempre de uma frase de Caetano Veloso sobre Guerra nas estrelas, acho que na época das comemorações dos 20 anos do filme: “A princesa Leia era uma chata, com aquele cabelo”, disse ele, depois de explicar que não era um grande fã de Guera nas estrelas. Pelo menos dessa vez, Caetano acertou.
Outra coisa que me irrita é aquele papo de nerd sobre a Força e o lado negro da Força. Foi para isso que Joseph Campbell prestou consultoria a George Lucas? É muita frescura.
Yoda é um capítulo à parte. O sujeitinho verde que parece vítima de radiação passa a saga inteira dizendo clichês que deixariam Içami Tiba constrangido. Para ficar ainda mais grotesco, há cenas em que o bichinho de 66 cm de altura aparece lutando com o sabre de luz. Mas há algo pior: o jeito de Yoda falar, meio que de trás para frente. Ridículo ele é.
Eu também nunca entendi a fixação de George Lucas por bichinhos fofinhos, como os Ewoks, ou bichos escrotos, como Jabba the Hutt. Aliás, O retorno de Jedi bate todos os recordes de ridículo exatamente por causa dos Ewoks. Os bichinhos fofinhos, armados de arco e flecha, têm participação decisiva na derrota do Império. É mais ou menos como o Mike Tyson tomar um cacete de um ursinho de pelúcia. Até fãs de Guerra nas estrelas consideram a participação dos Ewoks algo constrangedor.
Dos seis filmes, vi quatro: Guerra nas estrelas, O Império contra-ataca, O retorno de Jedi e A ameaça fantasma. O único razoável é O império contra-ataca, e não é uma maravilha. Embora eu tenha assistido trechos dos outros dois, eu desisti de vez da saga quando vi Jar Jar Binks em A ameaça fantasma. Tudo tem limite



Icômicos
Dercy Gonçalves e Oscar Niemeyer fazem 100 anos. Me parece evidente que, no monumento bicentenário erigido por estas duas gloriosas vidas, encerra-se a alquimia profunda da brasilidade, em toda a sua energia original, vital, pulsante. Eu pretendia, portanto, escrever um post sobre Dercy e Oscar, pólos complementares do Brasil profundo. Mas aí empaquei. Não conseguir sair disso. E foi então que me ocorreu a idéia de lançar o Projeto Dercy-Oscar. Trata-se de um concurso de monografias, no qual os interessados desenvolverão exatamente aquele tema, "Dercy e Oscar, pólos complementares do Brasil profundo". As inscrições estão abertas até o final de julho, e o resultado será divulgado em agosto. O prêmio é um tour pela Torre de Marfim, durante o qual o vencedor ficará extasiado com nossos candelabros de cristais, escadas de mármores e a vista inebriante do varandão com balaustrada em cantaria (e, é claro, muito marfim por toda parte). O concurso conta com um patrocínio do Vick Vaporub (por favor, não tentem entender por quê). As monografias podem ser postadas como comentários neste post.
PS: Ignorem os ataques gratuitos que o Matamoros Vendepátria fez ao mestre Oscar