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Eu torço contra o alemão
Durante boa parte do século XX, boa parte da esquerda torceu para o comunismo vencer a guerra fria contra o capitalismo. Aí, quando o comunismo perdeu, e o bloco soviético veio abaixo, e revelou-se para o mundo em toda a sua intensidade a bostança que aquilo era, a referida boa parte da esquerda mudou o discurso. Passou a lamentar que já não havia o “equilíbrio de forças entre as duas potências”, que representaria um limite ao poder de ambas. Já eu acho preferível uma potência democrática dominante, que de vez em quando faz cagada porque muito poder sobe à cabeça mesmo, do que metade do mundo sob o tacão de um potência ditatorial e escrota nos fundamentos.
Mas a idéia do “equilíbrio de forças” ficou. Vejam este trechinho da última coluna do ombundasman da Folha. Ele está falando da megaoperação da polícia carioca no Complexo do Alemão:
O salutar ceticismo jornalístico em relação ao poder tinha motivos suplementares para ser exercido desde o dia 27. Chamou a atenção a desproporção entre as 19 mortes de um lado e nenhuma do outro. Para 19 "bandidos" abatidos, houve somente três feridos e 12 armas apreendidas.
Quer dizer, então o bundaman preferia um resultado mais equilibrado, digamos, 15 mortes entre os bandidos e umas 10 entre os policiais? Assim, a sociedade ficaria livre de uma hegemonia excessiva de algum dos “lados” envolvidos no conflito.
Eu estou distorcendo. O objetivo daquele trecho acima é o de tentar mostrar que houve execuções, já que seria irrealista esperar que no confronto apenas traficantes morressem. É de uma estupidez atroz. Estes policiais que subiram o morro fazem parte de tropas de elite super-treinadas, e qualquer especialista no assunto sabe que os bandidos não têm a menor condição de resistir aos ataques. Eles só não são varridos dos morros porque a população inocente está no meio.
Mesmo a intenção do homem-bunda da Folha sendo a de tentar mostrar que é bem possível que tenha havido execuções (e é possível, mas não pelos motivos por ele alegados), me irrita a leveza com que o assboy quase que lamenta a “desproporção” entre as mortes de policiais e de bandidos. Me arriscando a incorrer em olavismo, eu diria que faz parte do zeitgeist pró-marginália


