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Ele é chatinho, nervosinho e escrotinho
O meu pai sabe das coisas. Bernardinho nunca o convenceu. Nem no começo da fama do técnico, nem depois que o Brasil passou a ganhar tudo no vôlei. O velho sempre ficou firme: "Esse cara é arrogante, um prepotente quer aparecer mais do que os jogadores! Aquele jeito de gritar é ridículo!" Eu discutia. Dizia que ele era prepotente mesmo, mas argumentava que o histórico de vitórias era uma credencial irrefutável. Eis que Bernardinho decide cortar Ricardinho, o melhor jogador da liga mundial, e convocar para o lugar o seu filho Bruninho (os sujeitos não são meio grandinhos para serem chamados pelo diminutivo?)
O meu pai exultou. Quando o encontrei no fim de semana, ele não se agüentava: "Está vendo? Caiu a máscara! Esse sujeito acha que ninguém pode ser melhor do que ele!", vociferava, com o lábio trêmulo e o olho rútilo, como diria o Nelson Rodrigues. Dei o braço a torcer. O velho estava certo. Cortar um dos melhores jogadores do time é coisa de quem não suporta concorrência.
Mas Bernardinho se supera. Chego hoje na empresa e recebo um folheto na entrada. É uma propaganda da Uptime, uma escola de inglês que anuncia ter como um de seus diferenciais o ensino por meio da neurolingüística e da mnemônica. Quem é o garoto propaganda? Bernardinho, é claro. Eu ia chamá-lo de mercenário, mas vejo no pé do folheto que ele doou o cachê para os projetos do Instituto Compartilhar. Menos mal. A questão é que eu descubro em seguida que o Instituto Compartilhar é uma organização civil sem fins lucrativos, idealizada em 2003 pelo próprio Bernardinho.
Ok, ele não me parece corrupto, mas está associando sua imagem a uma escola de inglês que usa como método a neurolingüística e a mnemônica, para conseguir recursos para seu próprio instituto. Ser garoto propaganda da Uninove e da Unilever já é ruim, mas da Uptime? Para a Unilever, aliás, Bernardinho protagoniza um dos comerciais mais ridículos de todos os tempos, em que ele, a mulher e os filhos guardam os produtos da empresa nos armários da cozinha e do banheiro com saques, cortadas e manchetes. Para completar, Bernardinho tem um livro com um nome grotesco – Transformando suor em ouro - e é um das estrelas das palestras de motivação profissional. Além de arrogante e prepotente como afirma o meu pai, o sujeito também é picareta


