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O túmulo da inteligência

Camilapitanga3.jpg
Não é brinquedo, não

No sábado, eu vi pela primeira vez um trecho de Paraíso tropical. Fujo de novela como Lula foge de livro, mas, como apareceu a Camila Pitanga enquanto eu mudava de canal, fiquei curioso para ver a atriz que “conquistou o Brasil” com a interpretação da prostituta Bebel. Assisti um trecho bem longo para meus padrões – uns cinco minutos, talvez dez. Camila Pitanga, eu não preciso dizer para vocês, é uma mulher bonita. A questão é que ela está numa novela brasileira. Bastou abrir a boca para que toda a beleza e sensualidade fossem para o vinagre. A sua Bebel é uma caricatura péssima. (Eu li que as prostitutas elogiam a atuação de Camila Pitanga. Não acredite. Elas podem entender de prostituição, mas fica claro que não entendem nada de acting).

A culpa, obviamente, não é toda de Camila Pitanga, ainda que ela não seja exatamente uma Sarah Bernhardt. O grande responsável, claro, é o autor da novela. Nada resiste ao poder de vulgarização de um Gilberto Braga ou de um Manoel Carlos. Diálogos de novela, como disse o Alexandre Soares Silva, “são um dos pontos mais baixos do espírito humano”. No trecho que eu vi, Bebel acabava uma discussão com o personagem interpretado por Wagner Moura com uma frase bonita - e bastante original: “O meu ouvido não é penico”. Faltou apenas chupar o dente e cuspir no chão. Eu estou há horas tentando lembrar de outras trechos de diálogos de Paraíso tropical, mas minha memória não reteve nada. Posso garantir, porém, que eram do mesmo nível do que a frase do penico.

Quando vejo novela – qualquer uma -, eu tenho a nítida sensação de que o meu QI despenca vertiginosamente. Bons atores se tornam canastrões abomináveis. O sujeito que trabalhou a vida inteira com Antunes Filho tem uma performance igual à do Mário Gomes. Por causa da combinação de tramas pobres, atuações amadorísticas e diálogos constrangedores, eu me policio para não ver mais do que dez minutos de novela a cada três anos. Eu tenho medo de assistir a um capítulo inteiro e passar a gostar de pagode, o equivalente musical de novela



Marcos Matamoros at 07:22 PM | Comentários (4)

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* Marcos Matamoros
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