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Lamento do mundo da lua

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Aconchegantemente human-free


Às vezes eu acho irritante que para certas pessoas não baste que eu não tenha boas relações com os seus inimigos, mesmo que eu não saiba por que os inimigos são inimigos. Para certas pessoas, é preciso que eu não tenha boas relações com os seus inimigos, mesmo que eu nem saiba que são inimigos. É como se não adivinhar que o inimigo é inimigo fosse uma falta de sensibilidade, uma incompreensão injustificável dos sinais exteriores de que o inimigo em questão é intrinsecamente hostil a tudo de mais importante que "nós" (eu e a certa pessoa, num súbito e improvável uníssono de julgamentos e sensibilidade) defendemos. É como se não captar antipatias não explicitadas fosse aderir ao que deve ser antipatizado. É claro que tudo fica pior se a 'certa pessoa' tem poder sobre mim. E é claro que é disso que estou falando. Eu sou um sujeito em estado avançado de vivência no mundo da lua, um mundinho particular que é preenchido com minhas constantes opiniões e teorias sobre quase todas as coisas que acontecem no universo, menos aquilo que está excessivamente próximo de mim. A minha tendência a me alhear, por exemplo, das questões relativas ao condomínio do meu prédio, ao funcionamento do meu carro, à composição do meu guarda-roupas ou às fofocas não-sexuais (estas eu acho divertidas) do meu trabalho é avassaladora. Dá uma canseira tremenda, e tem sido para mim fonte de fortes dores-de-cabeça, me manter atualizado em relação às panelas e às rixas que se desenvolvem bem na frente dos meus olhos (e ao alcance dos meus ouvidos), nos ambientes sociais em que estou imerso. Porque na verdade eu fico muito mais imerso na minha mentezinha bolorenta do que na podridão medíocre que me cerca. Droga por droga, sou mais eu

P.S: Não levem a sério a auto-depreciação, é que estou de mau humor. Como vocês já devem ter percebido, normalmente me acho o máximo



F. Arranhaponte at 08:23 PM | Comentários (2)

Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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