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O palco de diálogos inteligentes
Eu tenho uma quedinha pelo niilismo político. É uma tendência que se acentua cada vez mais. Anulei o voto para presidente, governador e senador, e tive uma sensação de liberdade agradável. Nem sempre foi assim. Eu comecei a acompanhar política com 14 anos, e achava o assunto apaixonante. Vinte e dois anos depois, pouco ou nada resta dessa ilusão, embora eu ainda acompanhe o assunto diariamente, com mais nojo do que interesse.
A eleição de 2006 foi certamente decisiva para aumentar ainda mais meu asco pela política. Não houve nada parecido com uma discussão de um projeto de país. O segundo turno atingiu o ápice do grotesco, com a campanha mentirosa e repulsiva adotada pelos petistas, dizendo que Geraldo Alckmin retomaria as privatizações e acabaria com o Bolsa Família. A reação pusilânime de Alckmin, que não teve coragem de defender as privatizações feitas no governo Fernando Henrique Cardoso e ainda tirou fotos com uma jaqueta com logotipos de estatais, foi constrangedora - e selou meu voto nulo.
O segundo mandato de Lula é de um ridículo atroz. Como não ter vergonha de um governo que aposta num plano de obras de infra-estrutura que não sai do papel e de um presidente que faz bravatas patéticas a cada discurso? Isso sem falar na reação de Lula e dos petistas a qualquer manifestação de oposição, sempre consideradas golpismo ou conspiração das elites.
O Legislativo, sempre infestado por seres lombrosianos, consegue ser ainda mais repulsivo neste ano. Não lembro de deputados e senadores protagonistas de escândalos anteriores terem mostrado a desfaçatez exibida atualmente por Renan Calheiros. Ele é o tipo de político que mais me enoja. Além de obviamente picareta, nunca teve uma idéia política. Não se sabe o que Renan pensa sobre nenhum assunto importante. A sua única preocupação é obter vantagens do governo, de qualquer governo. Foi assecla de Collor, ministro da Justiça do governo Fernando Henrique e é um aliado de peso de Lula.
E chegamos enfim ao Judiciário. A divulgação das conversas entre os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi ridícula. No meio do julgamento, os dois trocam mensagens, que dão a entender que combinam os votos, ou pelo menos que Cármen Lúcia está louquinha para ser influenciada por Lewandowski. Além disso, tratam de questões mesquinhas sobre a política interna do STF, e sugerem que a indicação do próximo ministro do tribunal pode estar atrelada ao voto de Eros Grau. É claro que não vejo problemas no fato de os ministros conversarem, mas acho o fim da picada o fazerem durante o julgamento. Para completar, a conversa pedestre só fez piorar a imagem já ruim que eu tinha dos ministros do STF.
Nada por aqui tem a mínima solenidade. Tudo é pequeno, escroto e patético


