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Bem, eu não queria fazer mais um post para comentar as bobagens econômicas que o Alon fala, investido do conhecimento profundo de quem já participou de reuniões com banqueiros quando trabalhava no UOL. Mas não dá para deixar passar em branco. Olhem só o que ele escreveu:
Ah, sim, tem também o argumento de que se o negócio era previsivelmente tão bom teria aparecido no leilão da Vale um monte de gente disposta a fazer um negócio não necessariamente tão bom assim, mas ainda bom, o que teria elevado o preço da ação. Se você acredita nisso, se você acredita que um leilão dessa magnitude rege-se pelas "leis do mercado", então você entende mesmo de capitalismo. Do capitalismo de ouvir falar.
Isso é mitologia esquerdista na sua pureza primordial. O Alon diz que um leilão não se rege pelas leis de mercado se for grande. Ele não explica por que, é claro, só insinua que o incauto provavelmente é um ingênuo (afinal, ele não esteve em reuniões com banqueiros, como o Alon) se não percebe o porquê.
Não há nenhuma razão pela qual um leilão grande deixe de ser regido pelas leis de mercado. Você pode leiloar uma laranja, a Mona Lisa ou a Microsoft, e você terá um leilão pelas leis do mercado.
A única insinuação a ser extraída do raciocínio do Alon é que o governo FHC propositalmente fez um leilão fajuto, de cartas marcadas, para voluntariamente perder bilhões de arrecadação com a venda da Vale (olha a lógica cristalina, um governo querendo perder arrecadação), provavelmente para receber uns trocados por fora.
A ingenuidade do Alon (se ingenuidade for) é imaginar que todos os tubarões do mundo que tinham interesse na Vale iam deixar impunemente que um leilão fosse realizado por 1/10 do valor sem que eles pudessem participar.
Enfim, é a velha lenga-lenga da esquerda de insistir que mercado não existe, ou melhor, só existe se for para leiloar um negócio bem pequenininho, digamos uma gravura do Di Cavalcanti. Na verdade, é que nem aquela posição do cara de esquerda que é a favor da privatização em princípio, mas contra todas as privatizações já realizadas desde que o mundo é mundo. Então mercado existe, a não ser em todos os casos possíveis e imagináveis em que ele disser que é um jogo de cartas marcadas (e ele sempre dirá quando isto for interessante à "causa")
Bem, mas para quem presta homenagem a Stálin, o besteirol sobre a Vale é até lucro


