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Eu não li o livro de Alberto Carlos Almeida, não li a reportagem da Veja sobre ele e nem assisti ao Roda Viva, mas, exercendo meu direito de ser leviano, vou me meter na discussão. Eu também acho que uma população com mais escolaridade tenderá a ser mais preocupada com valores éticos e democráticos, embora eu acredite que o Alon tem um ponto quando diz, neste post sobre o livro, que há uma diferença entre os que as pessoas acham e o que as pessoas dizem que acham. Ele entra depois num papo furado marxista sobre ideologia, mas acho razoável supor que uma parte dos que têm maior escolaridade tenha dado as “respostas certas” sobre assuntos como corrupção e democracia porque sabe qual é a opinião politicamente correta sobre eles – o difícil é saber se essa parcela é a maioria. Mas, de resto, o Alon me parece muito equivocado.
O que me chama a atenção depois que o PT assumiu o poder é a mudança de discurso da esquerda em relação à questão do nível de escolarização e de renda. Por muito tempo, uma grande parte dos eleitores do PT se encontrava justamente na elite intelectualizada, na classe média com formação superior. O povão não votava no PT, como ficou claro em várias eleições que o partido perdeu. É constrangedoramente óbvio escrever isso, mas Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso não teriam sido eleitos se os mais pobres tivessem votado maciçamente em Lula. Não foi apenas a classe média malufista que os elegeu.
Nos grotões do Nordeste, por exemplo, o PT não tinha penetração eleitoral, e a massa votava basicamente em coronéis como Antônio Carlos Magalhães ou Miguel Arraes – de esquerda, mas coronel. Para grande parte da militância petista, esses votos eram fruto da ignorância dos menos escolarizados, que votavam nos políticos tradicionais em troca de migalhas. Eu perdi a conta de quantas vezes ouvi petistas atribuindo derrotas eleitorais ao fato de que a maior parte da população era pouco escolarizada. Os mais adeptos de teorias da conspiração adoravam usar o argumento de que a educação no Brasil nunca seria prioridade, porque a ignorância das classes pobres era a garantia de que os políticos tradicionais se manteriam no poder por muito tempo.
Depois de 2002, porém, esse discurso mudou. Lula conseguiu se eleger com apoio decisivo de parte desse mesmo povo iletrado, que por muitos anos não votava no PT nem amarrado – a moderação do discurso petista, a transformação de Lula num sujeito menos radical e o desempenho ruim da economia no fim do governo Fernando Henrique acabaram abrindo espaço para a vitória do Guia Genial. Quatro anos depois, com uma política baseada em aumentos elevados do salário mínimo e o Bolsa Família, o apoio dos mais pobres foi ainda mais importante na reeleição. O nível de escolaridade, então, passou a deixar de ser um grandes obstáculos à ascensão do PT, já que os menos escolarizados, que são também os mais pobres, passaram a votar maciçamente no PT. A educação deixou de ser uma das bandeiras principais do partido e do governo.
Se eu fosse adepto de teorias conspiratórias, diria que o partido não se esforça para melhorar de fato a educação porque isso contraria seus interesses eleitorais. Mas eu não acredito nisso. A resposta é mais simples e mais óbvia. Boa parte da esquerda simplesmente não tem convicção no poder de transformação da educação. Do ponto de vista eleitoral, concluiu que é mais negócio insistir na divisão povo bonzinho e coitado X elite má e cruel


