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Poucas vezes um movimento tão irrelevante provocou tantas polêmicas quanto o Cansei. Petistas debilóides vêem intenções golpistas na turma de João Dória Jr., enquanto opositores lunáticos enxergam no Cansei a possibilidade de uma reação da sociedade civil ao governo Lula. Como de costume por aqui, nenhum dos dois extremos está certo. Ser contra a corrupção e a violência são bandeiras mais do que justas, mas como é que pode ter credibilidade um movimento que, para começar, tem um nome ridículo como Cansei?
Os líderes do movimento não ajudam. Eu defendo até a morte o direito do João Dória Jr. se expressar e se indignar, mas não vou me furtar a ridicularizá-lo. E não dá para levar a sério um sujeito como o presidente da Philips, Paulo Zottolo. Ele não percebe nem mesmo que não se pode dizer numa entrevista o mesmo que se diz numa mesa de bar. Não me digam que ele está sendo injustamente ridicularizado – sacanear o Piauí é uma tentação a que eu mesmo não resisti, mas parece óbvio que não é a declaração mais adequada para um presidente de multinacional que pretende ser uma liderança da sociedade civil.
Mas há mais. O cartaz com Hebe Camargo, Ivete Sangalo, Regina Duarte e Ana Maria Braga parece ter sido feito de propósito para desmoralizar ainda mais o movimento. Hebe é uma malufista histórica, que gosta de criticar o Congresso e defender a pena de morte. Não são credenciais das melhores. Também não acredito que Ivete Sangalo, Regina Duarte e Ana Maria Braga confiram credibilidade ao negócio. . Se eu gostasse de teorias conspiratórias, diria que o Nizan Guanaes está a soldo do governo, agindo para destruir o Cansei por dentro.
Além das quatro cansadas, a lista de adesções de artistas e desportistas também é impressionante: há Adriana Lessa, Agnaldo Rayol, Moacyr Franco, Paulo Vilhena, Luana Piovani, Carlos Alberto de Nóbrega, Tom Cavalcante, Victor Fasano e Wanderléa. Ah, tem também o Goulart de Andrade. Imagino as massas sensibilizadas por essas adesões. O Goulart de Andrade diz vem comigo e milhões o seguem. O movimento, como se vê, não tem nada de golpista. É apenas ridículo


