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Cabeça de crítico de cinema é um dos troços mais indecifráveis do universo, mas se há alguma coisa que fascina a categoria é a relação entre pai e filho. Se houver de algum modo a menção a esse tema, o cineasta pode ficar tranqüilo que a resenha será no mínimo simpática, mesmo se a obra for uma merda. Assisti ontem As leis de família, do argentino Daniel Burman. O filme é razoável, mas está longe de ser brilhante. Em muitos aspectos, é banal. Como trata da relação entre pai e filho, com suas incompreensões e dificuldades de comunicação, a Folha não vacilou e tascou quatro estrelas, a classificação máxima.
Há alguns meses assisti O passageiro, de Flávio R. Tambellini. Para começar, o diretor usa, entre o prenome e o sobrenome, uma inicial abreviada, o que sempre me irritou – é totalmente gratuito, eu sei, mas isso sempre me pareceu meio ridículo. De qualquer modo, não é isso o que realmente importa. A questão é que o filme é fraco. As interpretações são amadoras – o desempenho dos atores adolescentes torna qualquer figurante de Malhação um Laurence Olivier imberbe -, e o roteiro é frouxo. Mas isso não é problema: a relação conturbada entre pai e filho está presente, o que bastou para o filme ganhar críticas positivas.
O sucesso de Central do Brasil se deve em grande parte ao fato de tratar da busca do pai - aliás, de todas as possíveis abordagens da relação entre pai e filho, nenhuma tem mais apelo entre os críticos do que essa. Freud deve explicar. Por tudo isso, cineasta iniciante, se você quer ganhar uma resenha positiva, não deixe de enfiar o assunto em seu filme. É um passaporte para o elogio da crítica


