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Cantor do Araketu joga bola em Itajubá. O meu gato tem olhos bicolores. Sete de setembro empolga Quixeramobim. Como me transformei na Siri do Ceará. Informações importantes, não? Todas elas constam da página VC no G1. O leitor manda notícias, fotos e vídeos e o G1 os divulga.
São as maravilhas da interatividade. É a velha crença de que as pessoas têm coisas interessantes para contar. Mas pode acreditar: não têm. A maior parte das pessoas é desinteressante e tem vida desinteressante, cujos pontos altos são ver o cantor do Araketu jogando bola ou assistir à parada no dia da pátria. Para quem mora em Itajubá ou Quixeramobim, é provável que a participação do cantor do Araketu numa pelada ou o desfile de sete de setembro sejam de fato o máximo de excitação, mas mesmo assim eu me admiro com a necessidade que os neguinhos têm de compartilhar essas experiências.
A minha turma da faculdade apelidou essa compulsão de efeito Cafu, por causa de um amigo de um amigo nosso. Num momento em que o jogador ainda não tinha sido nem campeão do mundo pelo São Paulo, o sujeito contava, todo feliz: “Eu fui para Mongaguá no fim de semana e o Cafu estava lá. Bom, na verdade eu não vi, mas me disseram que ele estava”


