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O Hermenauta embarcou na discussão sobre nacionalismo (procurem, não consegui o permalink) proposta pelo Marton. O tema é bom. E só para ilustrar uma pequena idéia aqui (fico devendo algo mais ambicioso), reparem como o nacionalismo funciona às vezes. Na coletiva após o anúncio da Copa no Brasil, o patriota Ricardo Teixeira, irritado com a pergunta, ofensiva à nação, sobre a violência no Brasil, respondeu que há tiros em escolas nos EUA e há países em que a polícia assassina inocentes (referência ao caso Jean Charles de Menezes). Em outras palavras, estrangeiros domiciliados nos Estados Unidos e na Inglaterra (o repórter, na verdade, era canadense), estes países notoriamente tão violentos quanto o Brasil, não podem questionar a criminalidade por aqui. Bem, uma vez eu fiz uma continha singela: se a taxa de homicídios brasileira caísse ao nível inglês, seriam assassinadas 2.300 pessoas por ano no Brasil, e não 50 mil. Eu não fiz o exercício com os Estados Unidos, mas chuto que a taxa de homicídios brasileiras não iria para mais de 10 mil. Enfim, o argumento de Teixeira é, numa visão mais ampla e profunda, mentiroso. Mesmo considerando os assassinatos em escolas nos Estados Unidos e o caso Jean Charles, americanos e ingleses têm todo o direito de ficar espantados com os níveis de violência no Brasil, e de questionar representantes do país sobre a questão. Agora, mais do que mentiroso, o argumento de Teixeira é pernicioso. Ele tenta calar as críticas e questionamentos a algo que deve, sim, ser universalmente criticado e questionado. Seria ótimo para a sociedade brasileira que todos os estrangeiros ficassem pasmos e horrorizados com os nossos índices de violência, porque isto seria mais uma fonte de pressão para que nos mexêssemos para tentar resolver o problema.
Por estas e por outras é que eu fico feliz quando surge um Marton para pegar no pé do nacionalismo bobalhão e auto-complacente


