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Tropa de Elite, Tropa de Elite - só se fala nisso

Bem, como o Alex resolveu destacar no seu blog um comentário meu com a sua réplica, mas não a tréplica e o resto da discussão, eu aqui, mais democraticamente, reproduzo todo o diálogo:

F. Arranhaponte | m@il | www
Eu perguntei ao meu porteiro, morador da favela do Vidigal, ponto importante de tráfico, se ele tinha visto Tropa de Elite e o que tinha achado. A resposta, num tom sereno e desencantado, foi;
"É, F., é a realidade, a realidade"
O que mais se pode pedir de uma obra de arte'
14/10/2007 • 08:04:12

Alex Castro
Hmmm, então quer dizer que a função de uma obra de arte é refletir a realidade e mais nada? Portanto, se ela refletir a realidade já cumpriu sua obrigação e não se pode/deve pedir mais nada? Portanto, se não reflete a realidade, não é arte?
Rapaz, eu não saberia nem por onde começar a discordar. Provavelmente, começaria citando TODA a teoria da arte desenvolvida nos últimos 150 anos, mas daria muito trabalho.


F. Arranhaponte | m@il | www
Bem, típica resposta "impugnação por este meu tão grande excesso de sabedoria". Parece até o Olavo :-)
Não se trata de um grande debate sobre história da arte (se for, eu arrego), mas de se perguntar se se pode chamar de fascista ou pedir artifícios para "corrigir" a leitura de um filme que, aos olhos de quem faz parte da realidade retratada, arrebata como profundamente real.
Isto para mim, neste contexto do qual estamos falando, é grande arte sim, e os retoques ou correções politicamente motivadas que estão sendo pedidos só serviriam para diminuir a ambição artística de Tropa de Elite.
Mas se você quiser me ensinar gratuitamente os seus 150 anos de história da arte eu aceito sim, porque sou muito humilde.
Abraços ignaros
14/10/2007 • 09:23:02


alex castro | m@il | www
a questao nao eh essa, F. a questao é: elogiar uma obra de arte dizendo que ela reflete a realidade, ou que nao hah mais nada a se pedir de uma obra de arte a não ser que reflita a realidade, me eh tao bizarro que, de fato, mata a discussao. claramente, a gente acha arte é uma coisa bem diferente, com funcoes bem diferentes.
se vc acha que a funcao de uma obra de arte, por exemplo, é refletir a realidade, entao a fotografia matou a pintura... a pintura nao tem mais razao de ser, já que a fotografia já reproduz a realidade perfeitamente, e assim por diante... arte abstrata nao é arte, duchamp nao é arte, warhol nao é arte, bunel não eh arte, etc etc.

alex castro (continua)
eu, por exemplo, não entrei nesse merito em nenhum momento. me é irrelevante se o filme reflete a realidade ou nao. estudei na escola americana, passava por dentro da rocinha todo dia, quando eu precisar da realidade de uma favela, eu sei onde encontrar. não é isso que estou buscando num filme. e com certeza não vai ser por aí que vou julgar se o filme é bom ou ruim...
mas, sei lá, vai ver sou só eu.
14/10/2007 • 09:30:58


F. Arranhaponte | m@il | www
Bem, eu não acho que Moby Dick reflete a realidade - o cachalote não é a maior baleia que existe, nem é grande daquele jeito. Não é disso que estou falando evidentemente. Não entrei numa discussão sobre história da Arte afirmando que só arte que retrata a realidade é arte e que Bosch era uma besta.
O que estou dizendo é que, no ponto a que chegamos do problema violência-crime-drogas no Rio, o sujeito fazer um filme em que os retratados se reconheçam de forma tão, digamos, intensa, é um feito artístico sim.
E quanto às suas passagens pela Rocinha, eu diria que um sujeito pode ficar anos lá dentro e não entender patavinas daquela realidade (certamente não deve ser o seu caso).
Eu me lembro de uma história engraçada quando fiz um estágio com gente de diferentes nacionalidades. Fiz amizade com um inglês, debilitado por uma doença, e que era o típico "little Englander", pôs pouquíssimas vezes os pés fora da ilha, mas era sábio pra cacete, daquele jeito cético, cínico e desencantado que certos britânicos desenvolvem. E fazia parte do grupo uma norueguesasona, gostosa, corpulenta, hiper-ativa, hiper politicamente correta, que já havia viajado por meio mundo, namorava um negro sul-africano e por aí vai. Um dia meu amigo inglês comentou sobre a norueguesa: "Ela já foi a quase todos os lugares do mundo, e nunca conseguiu entender nada do que estava se passando". Um Tropa de Elite poderia ajudá-la, he he.
E não esqueci as aulas de teoria da arte não. Pode ir gravando os DVDs :-)

alex castro | m@il | www
eu nao entendo nada de favela... eu só disse que quando eu quiser ver a realidade do morro, eu sei onde fica :-) nao é pra isso que eu vou ao cinema....
14/10/2007 • 09:51:47

Mais adiante, Alex discute com o Paulo

Paulo | m@il | www
Alex
As vezes vc me lembra o Smart. Começa falando uma coisa, quando recebe uma resposta muda de assunto a acusa a outra pessoa de nao saber o que esta falando mas nunca diz porque.
O post era sobre o filme ser fascista. O F. deu bons argumentos contra essa tese (Nota do Blogueiro: num comentário anterior- vão ver lá) e vc partiu para 150 anos de teoria de arte.
Fica dificil neh?
14/10/2007 • 10:29:37

alex castro | m@il | www
paulo, realmente, eu nao tenho mais nada a dizer sobre a questao do fascismo ou nao do filme. o que eu tinha a dizer está no post, ué. estava realmente fazendo um comentario sobre outra coisa... qual é o problema? agora tenho que ficar me repetindo sobre o fascismo do filme pra sempre?
14/10/2007 • 10:32:19

Quer dizer, não adianta mais tentar discutir a opinião do LLL sobre Tropa de Elite, porque a casa já fechou para debates



F. Arranhaponte at 03:59 PM | Comentários (1)

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* F. Arranhaponte


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