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A propósito do Paul Tibbets, dois posts bem diferentes. Eu não teria muito a dizer sobre ele, mas o fato em si sempre me foi encasquetante. Porque eu sempre fui pró-americano e tendo ainda hoje a pensar que os EUA foram os menos fdp em quase todos os imbróglios do terrível século XX. Mas, no caso de Hiroshima e Nagasaki, sei não. Meu pai, um conhecedor de Segunda Guerra, me ensinou desde pequenininho que a rendição do Japão com guerra exclusivamente convencional iria ter um custo em vidas humanas muitíssimo maior do que o causado pelas bombas (mas ele nunca entrou no mérito moral do lançamento das bombas, do jeito que foi feito). Tem toda aquela história do fanatismo nacionalista japonês e coisa e tal. Mas, ainda assim, por que não jogar a bomba atômica em algum lugar ermo, de preferência em cima de alguma base militar isolada? Talvez até no mar, perto da costa japonesa, ou numa ilhota qualquer com presença militar nipônica e quase nada mais, se o que interessava era o efeito demonstração, de que os EUA poderiam arrasar o Japão se este não se rendesse imediatamente. Por que não uma bomba com um número mínimo de vítimas, seguida de um curtíssimo ultimato, de que se não houvesse rendição imediata aí sim cidades seriam atomicamente bombardeadas? Por que a opção foi a de jogar a bomba inicial, sem aviso ou ameaça prévios, em cima de uma cidade onde 99,99% das vítimas seriam civis? E, pior ainda, por que duas cidades de uma vez?
Nunca nenhum fellow pró-americano me respondeu estas indagações de forma satisfatória. É verdade que nunca conversei muito sobre o assunto, mas tenho interesse em bons argumentos, se eles existem. Deve haver, é claro, uma extensa literatura sobre o caso, que não conheço, mas se a versão pró ou contra fosse cabalmente incontestável, eu certamente saberia. Meu palpite pessoal é de que foi uma combinação de vingança por Pearl Harbor (e contra toda a imensa escrotidão dos japoneses na guerra) com algo parecido ao que levou à Guerra do Iraque II, aquele hubrisinho de quem se encanta com novos super-poderes bélicos, e quer porque quer testar na prática. Algo meio Apocalypse Now, meio Appetite for Destruction. A tese é chutada e mambembe (não se acanhem, destrocem), mas eu ligo as bombas ao fato de que os americanos são um povo hiper-ativo, they love action, e podem sim ser muito escrotos também.
Mas não mudo o meu julgamento histórico mais amplo, de que ainda assim eles foram os menos fdp quando se contabiliza o mata-mata completo do século XX


