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O Alex Castro decidiu atacar quem defende o uso da norma culta da língua. Para ele, é frescura dar importância ao respeito às regras do idioma. O Alex aproveita também para dizer que é necessário“matar esse senso-comum preconceituoso de que leitura (e aí incluo o domínio da NoCu - norma culta) é algo inerentemente lindo e que todos devem sempre ler mais e mais e mais. Leitura não faz de ninguém uma pessoa melhor”.
I beg to differ. Eu confesso que já fui um xiita na defesa do uso da norma culta. Até há alguns anos, erros de ortografia ou de pontuação me causavam calafrios. Com o tempo, passei a relativizar alguns deles. Eu conheço gente que escreve uma ou outra palavra errada e comete delizes na hora de pontuar, mas tem um texto muito bom, com estilo e fluidez. É minoria, porém. Quem escreve bem costuma errar pouco. Outra frase do Alex da qual discordo: “Falar 'nós vai' é errado segundo a NoCu, mas expressa com clareza o conteúdo desejado. Qualquer pensamento complexo pode ser convenientemente expressado em miguixês. E daí?”
Daí que não é verdade. Quem diz “nós vai” consegue se comunicar, mas costuma ter mais dificuldades para expressar pensamentos mais complexos, que exigem domínio mais apurado da língua. O post do Alex e o comentário do Permafrost citado por ele confirmam isso. Se os dois não soubessem usar bem o idioma, e isso inclui o conhecimento da norma culta, não conseguiriam escrever do modo como escrevem (não vale pegar o próprio texto e enfiar uns erros de ortografia aqui e uns de concordância ali para mostrar que ele seria entendido do mesmo jeito; não é esse o ponto).
Policiar cada erro de ortografia pode ser um exagero, mas defender o vale tudo é ainda pior. Em vez de um suposto preconceito contra os desvalidos do idioma, entra em cena um populismo paternalista, que avaliza qualquer atentado à língua.
Outra frase curiosa: "Leitura é bom pra quem gosta de ler e para quem tem carreiras que dependam de domínio da língua. Dependendo da criança, do seu tipo de inteligência e das suas inclinações, pode ser mais saudável passar seus dias praticando esportes, resolvendo quebra-cabeças, jogando videogames, tocando guitarra, construindo móveis, etc etc, do que lendo passivamente”.
Bom, é claro que ler é mais importante para um jornalista ou para um professor de literatura do que para um engenheiro ou um médico. O ponto é que os engenheiros e médicos mais inteligentes que eu conheci gostavam de ler. Pode ser que o sujeito não se torne um melhor engenheiro se for um grande leitor, mas é óbvio que aumenta a possibilidade de ele se transformar numa pessoa mais interessante.
O Alex, claro, vai discordar. É que ele está empenhado em ser um escritor que desestimula a leitura


