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Eu não assisto e não assistirei Duas caras. A minha opinião sobre novela já ficou clara neste post. Mas, pelo que eu tenho lido no Reinaldo Azevedo, é a primeira novela brasileira que não faz parte do projeto de hegemonia esquerdista em curso no país - aquele troço gramsciano que pode transformar o Brasil num país comunista em março do ano que vem, pelos cálculos do Olavo de Carvalho.
Há um professor esquerdinha que se chama Inácio Guevara, o que mostra toda a sutileza de que é capaz Aguinaldo Silva. A heroína da história, parece, é Suzana Vieira, dona da universidade invadida pelos estudantes de esquerda, com aquele cabelo loiro comprido de adolescente - haja suspension of disbelief.
Parte da oposição a Lula está esperançosa de que a novela possa começar a despertar o povo de sua letargia. Acho difícil. O mais provável é que a maior parte dos espectadores considere essas referências políticas um porre. Há também a possibilidade de que muitos não percebam e não entendam as críticas antiesquerdistas. Quem gosta de novela está interessado mesmo é nas tramas amorosas e nas intrigas dos vilões, e não em discursos políticos. A luta pela hegemonia gramsciana vai ter que se travar em outro campo.
Ah, eu também achei muito interessante a atitude do Reinaldo Azevedo nesse caso. Ele sempre ridiculariza quem tinge o cabelo – já sacaneou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, por causa disso – e não perde uma oportunidade de corrigir erros de português de seus desafetos. Com o escritor de novelas, porém, a história é outra. O blogueiro poupa o cabelo acaju de Aguinaldo Silva e ignora todos os atentados à língua cometidos pelo autor de Duas caras em seus posts. É claro que a benevolência não tem nada a ver com o antiesquerdismo de Aguinaldo Silva, e muito menos com a sua declaração de que Reinaldo Azevedo é um de seus ídolos. O motivo tem que ser outro


