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Feliz aniversário, grande matança

Os encômios * aos 90 anos da Revolução Russa me enchem de torpor e preguiça. Sinto vagamente que eu deveria fazer um esforço para ler a bibliografia relevante e tentar mostrar como a revolução foi ruim em praticamente tudo, e que comemorá-la, mesmo com muitas ressalvas, é endossar uma avalanche de crimes contra o ser humano só superada em horror absoluto pelo Nazismo (e não falo de comparações quantitativas, porque nestas o Nazismo provavelmente perde - ou ganha) e por outros regimes comunistas. Estou lendo displicentemente Koba The Dread, do Martin Amis, sobre isso. Evidentemente, é uma visão parcial e pessoal e nem de longe pode ser a base para nenhum comentário com pretensões a definitivo sobre a malignidade da primeira revolução comunista. Tem o costumeiro desfile de barbaridades indescritíveis, mostrando como desde o comecinho a norma bolchevique era a de prender e arrebentar (e freqüentemente exterminar fisicamente) qualquer comunidade humana vagamente suspeita de se opor à revolução. E isto incluía famílias, crianças, mulheres, velhos, até vizinhos. Trabalho escravo, tortura, transporte em condições piores do que as dos navios negreiros ou dos trens para Auschwitz, grandes fomes premeditadamente determinadas, canibalismo, faça a sua escolha. E muito de tudo isso começando bem antes do Nazismo dar as caras, isto é, bem antes de surgir o grande álibi que os adeptos da Revolução Russa invariavelmente invocam para justificá-la, ou pelo menos para atenuar suas culpas. Bem, mas eu preferia que outros mais eruditos do que eu travassem esse combate. Com meu limitado tempo e saco, só me resta desejar feliz aniversário da Revolução Russa para todos

* Provocar o Idelber para uma polêmica que envolva leitura é suicídio. Já vou me despedindo da minha reputação intelectual



F. Arranhaponte at 12:39 PM | Comentários (18)

Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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