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Eu sei que ninguém se incomoda com o assunto, mas mesmo assim vamos lá. Eu juro que não entendo como um crime pode demorar 14 anos para ser julgado e, às vésperas da conclusão do processo, num foro privilegiado, o julgamento corre o risco de não ocorrer, devido a uma manobra jurídica. Parece que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai impedir a palhaçada, mas o essencial é que Ronaldo Cunha Lima entra num restaurante, dá tiros à queima roupa num adversário político* e só é julgado depois de 14 anos. O sistema jurídico brasileiro permite manobras que fazem os processos se arrastarem por anos e anos.
O mais curioso é que ninguém parece se importar com isso. É evidente que isso gera distorções e injustiças absurdas. Deveria haver um bando de juristas e parlamentares empenhados em mudar essa situação grotesca, mas, até onde eu sei, não há. Essa passividade é que me deixa exasperado. Como ninguém acha isso ruim, fico até me sentindo ridículo em me indignar com o assunto, e em escrever um post sobre ele. Mas eu não consegui evitar. Outra coisa que eu não entendo: como Antônio Pimenta Neves, homicida confesso - e condenado** -, está solto? Se algum advogado – Mauro, diz aí - se dispuser a explicar como são possíveis tramitações de 14 anos e assassinos condenados continuarem livres, a casa agradece
* Como alguém dá três tiros à queima roupa num sujeito indefeso e não consegue matar a vítima? Vai atirar mal assim lá na Paraíba
** Eu sei que ele está recorrendo, mas um homicida confesso não deveria poder recorrer em liberdade


