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Ele não deixa a peteca de penas de pavão cair
Fale-se o que se falar do islamismo, mas os saudi-sunitas são praticamente o único grupo humano que ainda cultiva a quase desaparecida arte de ser nababesca e acintosamente rico. Abandonada pelas pressões do politicamente correto e para não açular a inveja das massas, a antiqüissíma tradição da ostentação sem limites, que nos legou grandes obras de arte, como o Taj Mahal, já teria sumido da face da Terra se não fosse o esforço solitário e comovente de um pequena penca de biliardários príncipes sauditas que honram a máxima de que o show não pode parar. O mais notável deles, o príncipe Alwaleed bin Talal bin Abudulaziz al-Saud (Alá seja louvado!), acaba de adquirir - no maior astral, tranqüilãozinho da silva - um Airbus-A380, o maior avião do mundo, só para ele. A idéia é fazer um palácio voador - se achar clichê é porque você está com inveja. E olha que o príncipe Alwaleed é apenas o 13º homem mais rico do mundo, com fortuna de parcos US$ 20,3 bilhões, duas ou três vezes menor do que a de campeões como Bill Gates ou Carlos Slim. Agora imaginem se o Gates ou o Slim decidissem comprar um Airbus-A380 só para eles, a encheção de saco que americanos e mexicanos não fariam, os ataques todos contra a exibição indecente de riqueza num mundo onde tantos vivem na miséria e toda aquela lenga-lenga de praxe. Entre os sauditas, aparentemente, rico tem mais é que gastar mesmo, comprar coisas bem concretas, visíveis e divertidas como super-aviões e banheiras de ouro, em vez de mesquinhamente deixar toda a bufunda investida em abstrações entediantes como bônus e ações. Longa vida ao príncipel Alwaleed!


