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Enlouquecido pela proximidade da mudança de casa e por uma viagem de última hora para Recife, eu não tive tempo de relatar o grande evento do sábado passado: o debate que eu e o Idelber travamos no Filial, em São Paulo. Em pouco mais de duas horas, nós tivemos uma discussão franca e divertida, uma batalha de idéias entre um blogueiro de esquerda e um de direita (eu acho que sou de centro ou centro-direita, mas, como eu mesmo disse ao Idelber, ninguém nunca comeu alguém se dizendo de centro. É melhor se dizer de direita).
O diálogo do século foi gravado e, assim que for digitalizado, eu vou postá-lo aqui no Torre de Marfim. O Idelber fará o mesmo no Biscoito. Eu gostei muito. Além de inteligente, o Idelber mostrou que tem um prazer verdadeiro em discutir. Nós discordamos bastante, concordamos um pouco e até surpreendemos um ao outro em alguns momentos. Como o Idelber contou por lá, eu mostrei simpatia pelo Bolsa Família, enquanto ele defendeu que sejam adotados mecanismos que incentivem a produtividade de funcionários públicos. Um ponto importante: o diálogo deixou claro que nós dois temos convicções democráticas. Ah: como eu sou jornalista, no começo do debate eu agi inconscientemente mais como entrevistador do que como debatedor. Tentei pressionar o Idelber com intervenções curtas e incisivas. Depois de um tempo, acho que assumi o papel de debatedor.
O fundamental é que, em duas horas de debate e em mais duas de bate-papo, nós nos tornamos amigos. A impressão é que nós nos conhecíamos há décadas. O encontro reforçou algo em que eu acredito há muito tempo: apenas os cretinos escolhem os amigos por afinidades ideológicas. Eu já fiquei com vontade de gravar outro. Quem sabe eu não dou um pulo em New Orleans só para discordar um pouco mais do Idelber?


