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Tá lá a Benazir fazendo comício, vem um cara, fuzila-a, se explode e leva mais 20 otários juntos. Pronto, cacete. Devemos voltar nossas atenções ao Paquistão. Aí a gente começa a ler artigos, comentários em blogs, começa a prestar atenção nas notícias sobre o país. Surgem textos alentados, como um do Tariq Ali que o Idelber me mandou, e que ainda não li. Bem, eu, sem ter lido nada muito de Paquistão, já tasquei um post resumindo meus pensamentos sobre a situação. E aí me ocorreu o seguinte. Talvez a melhor opção seja esta mesmo. Só saber o básico, estar muito cru no assunto, pegar o fato no que ele tem de mais elementar, e reagir com as entranhas e os preconceitos - ou, se preferir, com entranhados preconceitos. Volto ao começo. Tá lá a Benazir fazendo comício, vem um cara, fuzila-a, se explode e leva mais 20 otários juntos. A gente conhece mais ou menos a história do Paquistão. É sempre um eterno retorno disso mesmo. Pessoas matando as lideranças políticas relevantes, explodindo-se e levando o maior número possível de otários juntos. Bem, eu não sei se vou ler ou não o texto do Tariq Ali, mas talvez o melhor que eu possa fazer em relação ao Paquistão é algo na linha "vocês são todos uns merdas e vão para a puta que o pariu antes que eu me esqueça". Ora, quien soy yo, nenhum paquistanês vai me ouvir. Mas acho que esta seria a mais salutar reação da opinião pública mundial ao Paquistão. Simplesmente manifestar a repulsa pela coisa horrorosa que eles são politicamente. Se eu fosse o Paquistão, acho que esta seria a melhor forma de me fazerem melhorar: as pessoas me dizerem, sem frescuras, que eu sou um merda. Eu sentiria que não tem fuga nem escape dentro da merda que eu sou. Que eu não vou enrolar ninguém, que não adianta trazer as pessoas para perto, ficar íntimo delas, explicar meus motivos, minha razão, ir "naturalizando" (rá rá, roubei essa da esquerda e estou jogando de volta nos cornos dela) um homem-bomba aqui, um assassinato político ali, um clitoris arrancado acolá. Porque isto é um pouco a conseqüência de se mergulhar profundamente nos estudos destas regiões, geográficas ou sociais, em que os homens agem feito bestas. A gente vai entendendo, relativizando, ponderando, envolvendo-se, até o ponto em que eu consigo entender os motivos do Comando Vermelho para botar um rival do Terceiro Comando no micro-ondas, ou vejo um fundo de justiça no sujeito que serrou a cabeça do outro com faquinha de sobremesa e colocou o vídeo na Internet. Nestas horas, talvez o melhor seja reagir com uma combinação de preconceito, fígado, ignorância e, por que não dizer, intolerância


