« Um clichê a menos | Main | Mensagem ao povo paquistanês II »

É impossivelmente chato tentar entender os meandros da política em um país como o Paquistão. Numa leitura transversalíssima eu meio que capto que talvez a Benazir Bhutto tenha sido assassinada porque teria feito algum tipo de pacto com o beleaguered (não resisti à palavra-clichê do inglês) Pervez Musharraf. O que eu sei ainda mais transversalmente da política paquistanesa é que o mega-escroto Musharraf quer se reeleger pela enésima vez presidente, e que desta vez há uma resistência inédita à sua vontade de se perpetuar no poder. Leio pulando linhas aqui e acolá que qualquer coisa como uma "sociedade civil" paquistanesa e seus apoiadores no mundo ocidental exigem "democracia" e que o Musharraf largue o osso. E, como de hábito, os States entram na história como o vilão que apóia o ditador contra os clamores das "forças democráticas".
Bem, então deixa eu dizer o seguinte: não aposto um centavo de bolívar furado na democracia ou na sociedade civil paquistanesas. Se eu fosse os EUA, eu estaria muito nervoso, vendo que o Musharraf não está mais segurando as pontas e que o país parece destinado a testar níveis inéditos de o horror, o horror. Enfim, minha sensação é de que o fdp do Musharraf é a última linha de defesa diante do inferno e do caos, e que a idéia de que possa haver algo como uma transição pacífica para a democracia num lugar em que o dia a dia da política é tentar assassinar os adversários levando junto, de preferência, a maior quantidade possível de inocentes é ridícula.
Deu vontade de dizer: vai tomar no cu, sociedade civil paquistanesa. Vocês não enganam ninguém
PS: Melhor seria se eu estivesse redondamente enganado


