« A condescendência com os bárbaros | Main | Por que eles queriam CPMF »
Eu coloquei o comentário abaixo neste post do Alon. E aí deu vontade de replicar aqui. Para entender melhor, tem que ler o post dele lá:
Este discurso demonizador do PSDB no post (destruir o sistema de Saúde no País por causa do fim da CPMF, quando a economia cresce acima de 5% e a arrecadação explode?) é mais uma demonstração de como o PT age, e de por que o PSDB jamais deve ouvir "conselhos" vindos de quem, de fato, gostaria que o partido tucano acabasse ou que, no máximo, se tornasse uma linha auxiliar num projeto nacional-estatizante-populista petista, 100% contrário a tudo o que o PSDB representa.
Nesse post, Alon, você destila (só que com uma elegância muito acima da média petista) todo o ódio ao PSDB e ao FH que caracterizou o PT durante os oito anos de governo tucano.
Os tucanos e demistas tem a minoria dos eleitores brasileiros. Mas é uma minoria que tem uma clara visão de um projeto de modernização capitalista, com um levíssimo verniz liberal na economia, e que é basicamente social-democrata em termos de concepção de Estado. Bem, eu botei o Dem aí porque eles estão no barco, embora nunca ninguém tenha levado muito a sério (nem eu).
A partir da saída do Palocci, do segundo turno da campanha eleitoral e do início do segundo mandato, especialmente, Lula rompeu 100% com aquela visão descrita acima. É verdade que a ruptura se deu muito mais no discurso do que na prática, mas, em política e ideologia, o discurso de hoje pode muito bem ser a prática de amanhã.
Lula minou conscientemente o terreno comum. Eu acho até admirável. Se eu quisesse inclinar o pais numa direção estatista e populista, e tivesse apoio da grande maioria da população, eu faria mais ou menos o mesmo: romperia com aliados da modernização capitalista, e mostraria claramente ao que vim.
A coisa irritante no Lula/PT é que eles minam o terreno comum e querem que o ex-aliado potencial permaneça no campo minado.
A única atitude digna para o PSDB, mesmo que seu eleitorado caia para 5%, é permanecer onde sempre esteve, como partido social-democrata anti-populista e pós-getulista. Ajudar o Lula no momento em que este tenta guinar para um certo esquerdismo populista seria trair o eleitorado tucano. Que é, evidentemente, o que 100% dos analistas políticos simpatizantes do PT gostariam que o PSDB fizesse


