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Eu respondi aí num post abaixo a um comentário do Hermenauta em que ele dizia que a política social de um hipotético governo tucano (seria o Serra, no caso) que tivesse derrotado Lula em 2002 iria continuar no rame-rame da Comunidade Solidária da Dona Ruth. Resolvi reproduzir a minha resposta aqui, porque considero o Bolsa Família um assunto importante, e muito mal conhecido. Eu discordo radicalmente do que o Hermenauta disse. Disse provocativamente que o comentário dele era "quase calúnia". Segue meu comentário abaixo (só para provocar um pouco mais, coloquei em negrito um pedacinho que foi particularmente prazeroso de escrever):
Hermê, discordo radicalmente de que com os tucanos a política social ia continuar no rame rame da Comunidade Solidária da Dona Ruth. Acho quase calúnia um comentário desses. No final do governo FH, há muito que se tinha superado esta fase, e havia quatro programas de transferência crescendo - bolsa-escola, vale-gás, bolsa-alimentação e peti (ligado ao trabalho infantil).
Unificá-los e expandi-los era um desdobramento orgânico do que vinha sendo feito e já era defendido por um grupo amplo de economistas e técnicos que não eram propriamente todos tucanos (vários eram), mas que eram vistos pelos economistas e intelectuais do PT como demônios neoliberais a fim de focalizar a política social, o supremo pecado para, por exemplo, a Maria da Conceição Tavares.
Tudo leva a crer que as idéias deste grupo prevaleceriam em um eventual governo tucano, já que toda a lógica da criação do BF estava embutida no que já tinha sido feito até o momento. Em outras palavras, havia um processo em curso cujo corolário óbvio era unificação e expansão.
Na verdade, houve no início do governo Lula a prioridade para o desastroso Fome Zero, e aquele grupo de técnicos só foi finalmente acionado para fazer o BF quando o presidente, com muito bom senso, compreendeu que as propostas do PT tradicional para a política social eram uma besteira sem fim - como, diga-se de passagem, as propostas tradicionais do PT para a economia e para tudo o mais.
Dito tudo isto, o Lula teve o grande mérito de botar toda a energia possível no projeto do Bolsa Família, e expandi-lo ao máximo. Bem, o "se" histórico é sempre escorregadio (ou escorregadinho, como diziam minhas filhas até os 5 anos), e é muito difícil dizer que um presidente tucano iria abraçar um BF com os mesmos entusiasmo e garra do Lula. Então, como eu já disse, o Lula merece todo o aplauso por isto.
Mas daí a dizer que a política social tucana seria ficar fazendo umas caridadezinhas aqui e outras acolá, é gigantescamente injusto. Mesmo porque o BF era uma grande bandeira do Banco Mundial, que defendeu a idéia com grande energia junto a todas as candidaturas com chances em 2002. Isto está documentado. Não há nenhuma razão para se pensar que os tucanos, que sempre tiveram uma boa relação com as instituições multilaterais, iriam desprezar as sugestões do Banco Mundial.
PS: E, esqueci de mencionar, prefeituras tucanas, assim com algumas do PT (onde os intelectuais de miolo mole não apitavam) estão entre as pioneiras dos programas condicionados de transferência de renda, isto é, os Bolsas da vida


