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Vejam que interessante. Este link aqui eu roubei do blog do Alon, mostrando que a mortalidade infantil em Cuba baixou a 5,3 por 1000 nascidos, um número excelente. Eu já sabia, por outro lado, que Cuba tinha a menor mortalidade infantil da América Latina em 1960, um ano após os barbudos chegarem ao poder. Mas, para que não restassem dúvidas, procurei um dado anterior, e acabei encontrando aqui* (não sei por quê, mas o link cai sempre no item 31, Distribution and Services - cliquem na Table of Contents e entrem no item 34, Comparative Intenational Statistics). Vejam na página 101 que a mortalidade infantil de Cuba em 1956 era de 37,6. Na verdade, segundo os números da reportagem do Granma (vejam lá), ela até cresceu em 1961 e 1962, o que é compreensível, já que a revolução estava nos estágios iniciais e provavelmente o país ainda sofria as conseqüências da turbulência que sempre envolve uma ruptura como essa.
Esse documento aí em que consta a mortalidade infantil cubana, como alguns de vocês talvez já tenham notado, é o Statistical Abstract of the United States de 1960. É um documento estatístico do país publicado desde 1878. Está lá no site do US Census Bureau. Acontece que o Statistical Abstract tem uma sessão chamada "Comparative International Statistics", que é onde está o número não só de Cuba, e não só de mortalidade infantil, mas um montão de indicadores de um montão de países. Então, só para comparar, vejamos a mortalidade infantil de outros países tal como aparece no Statistical Abstract de 1960:
Cuba (1956) - 37,6
Estados Unidos (1959) - 26,4
Argentina (1958) - 61,1
Austria (1959) - 37,6 (igual à cubana)
Bolívia (1958) - 90,7
Brasil (1950) - 170
Chile (1958) - 126,8
Colômbia (1958) - 100
Itália (1959) - 44,9
Japão (1958) - 34,6
Espanha (1959) - 47,1
Reino Unido (1958) - 22,5
Uruguai (1956) - 73
Bem, resumo da história. A gente vê aqui que, em pleno bordel do Fulgencio Batista, Cuba tinha uma mortalidade infantil que era disparado a menor da América Latina, era igual à da Áustria, ligeiramente superior à do Japão e menor do que a da Itália e a da Espanha.
É preciso, portanto, parabenizar o ditador Fidel Castro por ter mantido o ótimo desempenho que a Cuba de Fulgencio já exibia em termos de baixa mortalidade infantil. Na verdade, Castro foi até um pouco adiante, já que hoje Cuba tem o indicador no nível dos países mais desenvolvidos, e até melhor que o americano (embora eu já tenha lido que o indicador americano é distorcido pelo que é considerado como criança "nascida vida", que é um conceito mais amplo do que em outros países, já que a altíssima tecnologia permite que se tente salvar bebês - às vezes com intervenções ainda na fase uterina - que em outros países falecem imediatamente ao nascer ou nascem mortos). Mas, se a gente analisar com cuidado, notaremos que o avanço da revolução cubana não foi esta coisa toda, quando cotejado com o de outros países. Vejamos, segundo os dados mais recentes da ONU, qual é a mortalidade infantil atual naquela mesma lista de países:
Cuba - 5
Estados Unidos - 6
Argentina - 13
Austria - 4
Bolívia - 46
Brasil - 24
Chile - 7
Colômbia - 19
Itália - 5
Japão - 3
Espanha - 4
Reino Unido - 5
Uruguai - 13
Em resumo, em cerca de 50 anos a revolução cubana conseguiu a façanha de reduzir a mortalidade infantil em 87%. Só que isto é menos do que, no mesmo período, reduziram a dita cuja países como Áustria (89,4%), Chile (o campeão, com 94,5%), Itália (88,9%), Japão (91,3%), e não é muito mais do que foi obtido pela Colômbia (81%), Uruguai (82,2%), Argentina (78,7%), Estados Unidos (77,3%) e Reino Unido (77,8%). O único que se destaca por ter reduzido bem menos que os outros é a Bolívia (49,3%).
Se a gente pensar em pontos percentuais de redução, Cuba, com 32,6, perde para Argentina (48,1), Áustria (33,6), Bolívia (44,7), Chile (119,8), Colômbia (81), Itália (39,9), Espanha (43,1) e Uruguai (60), e só ganha dos Estados Unidos (20,4), Japão (31,6) e Reino Unido (17,5).
Eu tirei o Brasil porque o dado do Statistical Abstract de 1960 referia-se a 1950, muito mais defasado do que o dos outros países. Poderia ter procurado um dado do final da década de 50 no IBGE mas fiquei com preguiça.
E por que tudo isso? É só para encher o saco dos fãs de Cuba, mesmo. Mesquinhos instintos anti-comunistas


