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Postulado nº 1
Toda e qualquer coisa que for concedida a um grupo será sempre considerada justa por este mesmo grupo, que lutará para ampliá-la e mantê-la eternamente
Isto a propósito das cotas, objeto de interessante debate no Idelber. Bem, para início de conversa, não sei se sou a favor de cotas raciais ou não. Eu me considero um anaeróbico bem discrepante neste quesito, porque fico invocado quase igual a um militante do movimento negro com o Ali Kamel dizendo o que que os negros devem pensar. Se insistirem muito, é capaz de eu dizer "tá bem" para alguma cota racial. Na verdade, acho que a cota por renda (e o Brasil classifica bem pobre por renda - vide o Bolsa-Família) cobre quase perfeitamente a cota racial, porque há mais negros pobres, e não cria 1/10 dos problemas. Mas sou meio agnóstico nesta questão.
Agora, meu lado homo economicus sabe que, uma vez abertas (e já foram abertas) as comportas das cotas raciais, não tem mais como fechar. Voltem ao postulado nº 1 de Economia Política arranhapôntica, e notarão que a clientela da cota racial vai lutar por ela (achando justo lá no fundo d'alma) para todo o sempre.
Se vocês inventarem uma cota para germano-descendentes, alegando que eles foram ludibriados nas condições contratuais quando chegaram para trabalhar na plantação no Brasil (sei lá, eles dirão que foram enviados pro meio de uma selva braba no Paraná, e neca dos campos gentis e da remuneração e alimentação adequados que foram combinados com o agente de imigração - deve ter acontecido isso mais ou menos - conheço o empresariado nacional), podem crer que eles a considerarão justa e lutarão para mantê-la eternamente. Vai ter fila daquela gente com sobrenome terminado em "en", tenistas, top models, líderes do DEM, pedindo a sua cota. Como já é tudo muito rico, é capaz de pedirem para transformar a cota num deságio na TJLP do BNDES que financia os seus investimentos. Mas que vão querer para sempre, vão.
Bem, é claro que cota para afro-descendente é muito melhor do que cota para germano-descendente. O que eu quis dizer é que vai ser virtualmente impossível distinguir os argumentos desinteressados na cota racial dos argumentos do lobby que já está se formando para mantê-las e aumentá-las, igualzinho ao lobby que existe para manter qualquer distribuição de dinheiro ou bens públicos, das justas às injustas, indo do Bolsa-Família à indenização para quem combateu a ditadura à Zona Franca de Manaus.
Aliás, gozado. Lá no debate do Idelber tem um cara que, invocando a Constituição, diz mais ou menos assim: primeiro concedam a cota, depois a gente discute se é bom ou não. Este deveria ser o lema da Associação Mundial dos Lobbies: "Primeiro dá, depois a gente discute". O postulado nº 1 explica direitinho o porquê


