« O grotesco indesculpável | Main | Mais nojo da política »

Capitalismo selvagem

DSCN0493c.JPG
Tobias aprendeu a lidar com os russos

Ironia das ironias. O berço do socialismo real virou epítome do capitalismo selvagem. Não se fala de outra coisa nas európias: os mili e bilionários russos e a sua forma extravagante de viver, e de gastar dinheiro, é claro. Vodka, drogas e mulheres aos borbotões, orgias desenfreadas, carros impensavelmente caros, gangsterismo rolando à solta e, principalmente, grana, muita muita grana. Em Londres, me dizem, os oligarcas fazem fila para comprar casas no chiquérrimo bairro de Hampstead. Residências vêm sendo vendidas na capital britânica pelo equivalente a 20, 30, 40 milhões de libras (multiplique por dois e acrescente um chorinho para chegar a dólares) para petro-bilionários árabes e russos, com o odd magnata indiano da siderurgia também entrando na brincadeira. Mas, de alguma forma, é sempre dos russos que o povo fala, pelo seu jeito extremado de ser, e eu começo a desconfiar que os ricos do país são ainda mais dostoievskianos que os pobres.

Meu instrutor de esqui tem uma história ilustrativa sobre o ponto acima. Para início de conversa, me confessou que, ao contrário de muitos dos seus colegas, ele trabalha com russos. Precisamos nos adaptar às diferentes culturas, me disse Tobias, um norueguês-suíço-surfista-esquiador-nômade, atrás de geleiras e novas zelândias no verão do hemisfério norte, e já bem aloprado em si mesmo. Ele acrescenta que consegue acompanhar os clientes russos na bebida, mas só até certo ponto (eu não consegui acompanhar Tobias nem na primeira meia-hora, e olhem que eu bebo).

O único incidente mais sério havido com os russos, prossegue meu instrutor, foi quando ele alugou um chalé em Chamonix, herança da sua mulher francesa, para uma tropa de meia-dúzia de compatriotas de Putin. Pelo disse-me-disse da vizinhança, Tobias constatou que nem tudo era perfeita normalidade no chalé, e, indo lá conferir, descobriu que os russos tinham trazido consigo um entourage de 23 mulheres (ou seriam 27? Minha memória para números é nula). “Hookers”, frisou meu instrutor, como se fosse preciso deixar as coisas ainda mais claras. Mas os russos pagaram a diferença direitinho, emendou Tobias, e o chalé estava razoavelmente preservado ao fim do aluguel. O que mostra que mesmo o mais despirocado dos Brics sabe a importância de respeitar contratos



F. Arranhaponte at 04:32 PM | Comentários (4)

Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


Links

* Alexandre Soares Silva
* Chá das Cinco
* Diacrônico
* Filthy McNasty
* FYI
* JP Coutinho
* Manobra, 1979
* Número 12
* puragoiaba
* Roma Dewey


Posts Anteriores

O paraíso das idéias cretinas
Mais miséria ética
Já deu
Agora vai
Canela, cachaça, bela raça, Brasil
Pedro Malan, herói da nossa gente
A pauperologia e o mundo corporativo
O cúmulo da viadagem
Maxwell, por qué no te callas?
Notícia preocupante


Arquivos

junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
Abril 2006
Março 2006
Fevereiro 2006
Janeiro 2006
Dezembro 2005
Novembro 2005
Outubro 2005
Setembro 2005


Syndicate this site (XML)

Busca





Powered by