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Estou deixando a Inglaterra apos duas semanas, e uma das coisas que me pareceu novidade aqui (a novidade seria a intensificacao da tendencia) sao os textinhos explicativos nas lojas, escritos a mao, para os mais variados tipos de mercadoria: vinhos, CDs, livros, etc. Pode ser a era do supremo filistinismo – qualquer boco, como eu, entra por exemplo numa loja descolada de CDs em Brick Lane e, em vez de ficar boiando e lamentando a total desorientacao quanto ao que acontece no mundo pop rock, vai la e le que a sonoridade de determinado CD de hip hop mistura a agressividade da vida passada do cantor como traficante com toques de melancolia derivados da longa convalescencia depois que ele levou nove tiros (meu Deus, eu falo de filistinismo, e ai devem pensar que vou exemplificar com a vulgarizacao que seria um textinho para explicar para os sem-nocao um livro do, digamos, Evelyn Waugh - mas o meu exemplo e um cantor de hip-hop ; eu, supremo filisteu!).
Bem, a visao positiva deste facilitario e que o vendedor teve que dar tratos a bola para criar um texto sintetico, informal e didatico sobre o vinho australiano, o ultimo livro do Martin Amis ou o CD do rapper baleado. Entao, poderiamos talvez considerar esta tendencia como um toque pessoal e simpatico, que humaniza o voraz consumo londrino.
No final das contas, e comercio mesmo. Eu nao comprei o CD do rapper traficante, mas quase (e so de felicidade por ter entendido a “proposta”)
PS: Never mind a acentuacao


