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Descruza o seu que eu descruzo o meu

Poucas coisas são mais chatas do que as disputas empresariais no setor de telecomunicações. O caso Daniel Dantas-Brasil Telecom-Citibank é provavelmente a segunda história mais insuportável do jornalismo econômico brasileiro de todos os tempos, superada apenas pelo descruzamento das participações acionárias da Vale do Rio Doce e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Há relatos não confirmados de leitores que morreram com o jornal na mão, no café da manhã, ao enfrentar alguns parágrafos de reportagens sobre o assunto.

O problema é que a novela no setor de teles continua, enquanto a história da Vale e da CSN acabou. O noticiário sobre as negociações entre a Oi e a Brasil Telecom me enche de tédio. Eu não tenho o menor interesse no assunto, não adianta. Torço para uma solução rápida, para que ele suma da mídia. Pode ser qualquer uma. A Oi compra a Brasil Telecom? Muito bom. O BNDES abre uma linha especial para a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) comprar as duas empresas, que terão Joãosinho Trinta como CEO? Tudo bem. Qualquer coisa serve, desde que o assunto saia do noticiário.

Esse tipo de assunto insuportável me faz entender como é a vida daqueles sujeitos que sofreram um acidente e perderam a memória recente. O Fantástico mostra um caso desses a cada seis meses. Eu li várias matérias que explicavam como Daniel Dantas obtivera o controle da Brasil Telecom tendo como participação acionária o equivalente a quatro balas juquinha. Depois de cinco minutos, eu não lembrava mais de nada. A única diferença entre mim e os sujeitos do Fantástico é que eu não lamentava o esquecimento do que tinha lido havia poucos instantes – pelo contrário



Marcos Matamoros at 01:47 PM | Comentários (4)

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