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Um dos grandes problemas para a oposição é que Lula é muito mais inteligente do que ela gosta de acreditar. A condução da política econômica é o exemplo mais claro disso. Ela está longe de ser a ideal, é claro. O crescimento desenfreado dos gastos correntes, a um ritmo muito superior ao do PIB, é um erro. Faz o governo investir menos em infra-estrutura do que poderia e leva a política monetária a ser mais dura do que todo mundo gostaria, além de impedir a redução da carga tributária. Mas Lula fez questão de manter um esforço fiscal razoável, capaz de reduzir a relação entre a dívida pública e o PIB, ainda que obtido à custa de aumento simultâneo de receitas e despesas. Quando o Senado derrubou a CPMF, Lula deixou claro que a meta de superávit primário seria mantida.
Outro ponto fundamental é que Lula concedeu na prática autonomia ao Banco Central (BC). Por mais que a esquerda do partido esbraveje, o BC domou a inflação, ajudando a garantir a reeleição de Lula. Em 2006, o IPCA teve alta de apenas 3,14%. No ano passado, a inflação ganhou algum terreno, fechando em 4,5%, mas nem de longe os preços parecem fora de controle.
Ao mesmo tempo, aproveitando-se do cenário internacional favorável, o governo reduziu o seu endividamento externo e aumentou fortemente o nível de reservas. Pôde comemorar na semana passada o fato de o país ter se tornado um credor externo líquido. Nenhuma novidade para quem acompanha o assunto de perto, mas algo perfeito para ser faturado politicamente. Num momento de crise internacional, o câmbio oscilou pouco. Com a calmaria dos últimos dias, voltou a se valorizar.
O resultado é que o país cresce a um ritmo razoável, com aumento do emprego e da renda e forte expansão do investimento. Para tristeza da oposição e para sorte da esquerda, Lula optou por uma política econômica razoavelmente sensata.
É claro que ele também ampliou os programas sociais, apostando inteligentemente no Bolsa Família, um programa com muito mais qualidades do que defeitos. Ao mesmo tempo, trilhou o caminho do populismo, ao conceder aumentos muito elevados para o salário mínimo – mas, ainda assim, sustentáveis do ponto de vista fiscal, pelo menos no médio prazo. A questão é que de nada adiantaria o crescimento de renda proporcionado pelos programas sociais e pelo aumento do salário mínimo se não houvesse inflação baixa. Os ganhos de renda evaporariam rapidamente.
O curioso é que há gente que ainda vê na Venezuela um exemplo a ser seguido. Com uma política monetária de quinta categoria – a inflação ficou em 22,5% no ano passado -, Chávez perde prestígio, mesmo com o petróleo a US$ 100 o barril. Para piorar, o país enfrenta o desabastecimento de vários produtos. Como Lula não é bobo, não vai seguir o caminho de Chávez. O divertido é que parte da esquerda continua a reclamar da política econômica


