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É um espetáculo deprimente. Com a economia crescendo com força e a popularidade nas alturas, o sucesso econômico e político do governo é indiscutível. Lula, porém, não se emenda. Jogou fora qualquer preocupação em relação à ética. Quando o novo ministro da Igualdade Racial tomou posse, ele fez um discurso inocentando Matilde Ribeiro, aquela que se lambuzou toda com o cartão corporativo. “Ela sai do governo sem ter cometido nenhum crime, nenhum delito, teve apenas falhas administrativas”, disse o Guia Genial. Todo mundo sabe que isso é mentira. O próprio Lula não bancou a ministra, porque sabia que ela, para usar um eufemismo, tinha usado o cartão indevidamente. Se não houve problemas, que Lula tivesse tido a coragem de mantê-la no cargo.
Na quarta-feira, Lula decidiu reabilitar Severino Cavalcanti, o símbolo do que há de pior na política brasileira – ignorante, incompetente, fisiológico e corrupto. “Aquela parte da elite paulista ou do Paraná que te convidava para fazer palestra todas as semanas para falar mal de alguns projetos hoje se o encontrarem na rua não o cumprimentam, e eu continuo tendo o mesmo respeito que eu tinha há muito tempo”, disse o Guia Genial. Ontem foi a vez de reabilitar Renan Calheiros. “Não vou permitir que alguém que não tenha moral de fazer crítica a alguém possa fazer com que eu rompa amizade que tenho com um companheiro que me ajudou tanto tempo como o companheiro Renan Calheiros ajudou no Senado”.
Essa é uma boa medida de Lula: um homem que respeita Severino e é companheiro de Renan Calheiros. Mas, para ele, ninguém que pertence ou pertenceu ao seu círculo erra. Ninguém comete crimes, ninguém comete deslizes éticos. Todos são injustiçados, vítimas da elite e da mídia golpista. José Dirceu e Antônio Palocci também, coitados. Saíram do governo porque eram dois dos petistas com maiores possibilidades de suceder Lula, não porque cometeram crimes. O curioso é que, no primeiro momento, Lula se livra desses colaboradores. Após algum tempo, em alguma cerimônia pública, elogia as vítimas da perseguição da oposição e da mídia, dizendo que não fizeram nada de errado.
E não me venham com essa história de que também houve corrupção no governo anterior. Houve, claro, embora eu ache que em menor escala do que no atual. Pode ser que eu esteja errado, mas isso não interessa. Não é porque eventuais casos de corrupção no governo tucano não foram punidos – e é uma pena que tenha sido assim – que há justificativas para a postura que Lula tem adotado. Ver apenas vítimas entre os ministros que ele mesmo condenou, ao afastá-los do cargo, assim como reabilitar gente como Severino e Renan, é um sintoma de miséria ética que tomou conta do governo. Em vez de se distanciar dessas figuras num momento em que a sua popularidade é elevadíssima, Lula prefere absolvê-las. Quanto mais popular fica, mais Lula se apequena


