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Eu não sei por que perco tempo com isso, juro. É doença mesmo, e eu vou conversar com meu psicanalista (mas, caramba! eu não faço psicanálise). Para não poluir muito nossa Torre, o comecinho vai aqui e o resto na extended entry. Meu conselho: não cliquem no continue reading.
Não há uma diferença substancial, de natureza, entre os governos Chávez e Lula: ambos se mantêm nos limites do regime burguês. Em situações distintas, ambos pretendem uma “utopia contemporânea” destinada ao fracasso: a impossível regulação social do capitalismo, afirma Valério Arcary, para quem a América Latina vive uma vaga revolucionária que, para ser vitoriosa, exige a ruptura com o imperalismo. Membro da direção nacional do PSTU, doutor em história social pela USP e autor dos livros As Esquinas Perigosas da História (Xamã, São Paulo, 2004) e O Encontro da Revolução com a História (Xamã, São Paulo, 2006), Arcary concedeu a seguinte entrevista a Caros Amigos:
Por outro lado, aconteceu uma coisa muito interessante nos últimos dez anos: o movimento de massas derruba não mais ditadores, mas sim presidentes eleitos, como no Equador, na Bolívia, na Argentina. O que isso indica?
É um fato histórico novo. Nunca antes dessa experiência tínhamos revoluções democráticas contra o regime democrático liberal. As situações revolucionárias abriam-se, essencialmente, em situações terminais, contra regimes de exceção, ditatoriais. Agora, desabou o tabu marxista de que insurreições não triunfavam contra regimes legitimamente sufragados. Ao longo dos últimos vinte, 25 anos, tivemos na América Latina regimes democráticos que herdaram, das antigas ditaduras, economias semicoloniais, com uma inserção mais frágil no mercado mundial, e Estados com peso debilitado no sistema internacional. A estagnação produziu o agravamento de todas as doenças sociais: delinqüência, marginalização em grande escala, o avanço do crime organizado, a lumpenização das sociedades, a migração em massa, a decadência da educação pública, das artes, da cultura. Mas as sociedades não podem mergulhar no abismo indefinidamente. Essa nova vaga de revoluções democráticas é uma reação. Graças à nova vaga, Tabaré, Lula, Ortega, Kirchner não podem mais fazer o que Menem, Fernando Henrique e Fujimori fizeram na Argentina, no Brasil ou no Peru. Mas o problema de fundo permanece: os imigrantes não voltaram, o desemprego, mesmo quando diminuiu, manteve-se num patamar muito mais elevado do que era o quadro anterior. Haverá uma segunda onda, provavelmente ainda mais radicalizada, de mobilizações da América Latina. O problema de fundo é que o proletariado brasileiro não voltou a cumprir o papel que teve em 1978 ou 1984. Em algum momento, entre 1993 e 1995, ocorreu no Brasil uma inversão global de forças em relação ao período que se abriu entre 1978 e 1989.


