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O alerta que vem do coco

Coco.jpg
Um dragãozinho saiu daí

Põe um indexador no contrato pra não se ferrar, tira do depósito a maquininha de remarcar, que eu tô voltando. Pega uns sindicatos para reclamar, uns burocratas para congelar, bota a Casa da Moeda pra trabalhar, que eu tô voltaaaaaaaannnnndo!!!

Calma, ainda não é tudo isso, mas hoje me assustei quando por trás de um coco a R$ 3 na calçada da praia do Leblon vislumbrei o dragão da maldade inflacionária esfregando as unhas sujas, tentativamente, nas bordas da Terra do Nunca Antes de Don Luleone (aquele que deu um beijo na testa do Severino).

Talvez seja difícil explicar isto, mas o coco na praia de Ipanema e do Leblon é metafisicamente um bem de R$ 2. O intervalo entre R$ 2 e R$ 2,5, que contempla uma oscilação de 25%, é mais do que suficiente para abrigar os ciclos sazonais da commodity. Tudo bem, mesmo uma pequena inflação, ao longo de um longo período, acabaria levando o coco a R$ 3. Mas pelos cálculos dos rocket scientists no departamento de pesquisa do Tower Consulting Partners, isto deveria ocorrer em algum momento entre 2010 e 2013, e não agora, assim sem mais ou menos, no apagar dos calores do verão.

O coco está para o TCP assim como o Big Mac para a The Economist. O coco condensa, in a rather big nutshell, ou sort of, todas as tendências e todas as facetas da dinâmica cíclica da economia global. Acompanhando a cotação do coco em Ipanema e no Leblon, temos feito previsões comprovadamente acuradas sobre o preço do petróleo, o câmbio euro X dólar e dólar X iene (os resultados foram curiosamente menos impressionantes com a libra esterlina) e, obviamente, sobre as tendências do PIB e da inflação no Brasil.

O coco a R$ 3 significa, definitivamente, luz amarela no semáforo (homenagem a São Paulo) inflacionário.

Vai ser interessante assistir a briga entre as duas correntes econômicas do governo: os cariris, liderados pelo ministro Mantega, e os bororós (célebres pela destreza com a borduna), chefiados pelo governor Meirelles, à medida que as ondas de pressão altista deflagradas pelo reajuste do coco se convertam em potencial tsunami inflacionário.

There will be blood



F. Arranhaponte at 07:35 PM | Comentários (4)

Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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