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"Ai, o meu terapeuta é lacaniano, mas eu leio escondido os livros do Jung"
Ser macho é atualmente uma tarefa difícil. Num mundo afrescalhado, o heterossexual tem que policiar o seu discurso se não quiser cair na mais pura viadagem. Qualquer referência cultural pode ser comprometedora. Para ajudar o heterossexual desorientado, eu pensei primeiro em fazer um decálogo com os mandamentos do macho, mas, além da dificuldade de arrumar dez, o Arranhaponte matou a questão ao lembrar que, “como diria o Lula, decálogo de macho pode ter no máximo uns três mandamentos.” Acatando o conselho do meu co-blogueiro, aqui vão três:
- Nunca se refira a uma coincidência como sincronicidade, principalmente se ela ocorrer com outro macho. Se citar Jung, danou-se. Macho não cita Jung, a não ser para depreciá-lo. Sincronicidade não existe e, se existisse, seria coisa de viado. Macho acredita em coincidência, mas não muita, porque se não vira viadagem.
- Macho não faz análise e não vai ao psiquiatra. Se for absolutamente necessário, vai a um analista freudiano. A única dúvida que macho se permite nessa área é discutir quem foi mais picareta: Jung ou Lacan? Ah, claro. Macho não toma prozac. Detalhe importante: nunca chame analista de terapeuta, mesmo que ele se identifique desse modo.
- Filosofia é um terreno perigoso para o macho. Toda a filosofia grega deve ser evitada. É de conhecimento público que quase todo filósofo grego mantinha com algum discípulo mais novo o mesmo tipo de relação que o Reinaldo Azevedo tem com o Gerald Thomas. Wittgenstein também é melhor evitar. Além dos motivos óbvios, não perca o seu tempo, porque você não vai entender mesmo. Filosofia de macho é a do Nietzsche, e olhe lá
* Este post tem uma óbvia influência de um antigo texto do Luís Fernando Verissimo, chamado Homem que é homem, publicado no livro O analista de Bagé


