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É, amigo, de vez em quando é inevitável, com a qualidade da direita que temos. O Ali Kamel, aplaudido pelo Reinaldo Azevedo, investe contra a ignomínia que é os pobres usarem o dinheiro do Bolsa Família para comprar eletrodomésticos no lugar de alimentos. Ele diz que o BF foi feito para combater a suposta fome de 54 milhões de brasileiros. Eu não sabia. Pensei que tivesse sido feito para aliviar a miséria e a pobreza de 50 e tantos milhões. O RA diz que o AK notabiliza-se como um jornalista que pesquisa seus assuntos, e que assim os aborda com níveis não comumente encontráveis de rigor e seriedade. Balela, as análises são pedestres, e o argumento dele de que gastos de 0,4% do PIB (o BF) num orçamento público de 37% - gastos aqueles destinados a aliviar a pobreza e a miséria de quase 30% dos brasileiros - fazem uma falta danada para a educação é de um absurdo surreal. Por que você não tira o dinheiro extra da educação dos restantes 36,6%, ô Kamel?!
Com teses deste nível sendo defendidas pela direita, num país onde a maioria é pobre, não dá para reclamar (muito) da hegemonia gramsciana


