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Livraria Ateneo, em Buenos Aires: Brazilian free
Não tem aquela história de que São Paulo é a cidade mais nordestina do Brasil? Pois bem, Buenos Aires é hoje a cidade mais brasileira da América Latina. Eu estive lá na semana passada e lhes garanto: tinha mais brasileiro do que em São Paulo. Com o câmbio valorizado por aqui e desvalorizado por lá, eu quase me senti rico. Eu ia comprar umas três empresas com o dinheiro das férias, mas, como não confio em país em que o governo rouba a inflação, decidi continuar a financiar a dívida pública brasileira. Afinal, o governo daqui paga bem.
O brasileiro que vai ao exterior é sabidamente sacoleiro. Eu mesmo, que não sou muito consumista, tive que comprar, além de alguns livros, umas roupinhas. A senhora Matamoros viu uma brasileira comprando cinco botas iguais numa loja, sob o olhar desconsolado do marido. “Mas onde é que você vai usar isso no Rio?”, perguntou o coitado. E a dondoca estava longe de ser exceção. Em todos os lugares de Buenos Aires, os brasileiros estavam lá, comprando alucinadamente, como se não houvesse amanhã.
Em todos os lugares, menos em um. Se o argentino não quiser ouvir português, tem um lugar seguro: é só ir a uma livraria. Eu fiquei uma semana em Buenos Aires, e devo ter ido umas 12 vezes a livrarias. Só vi brasileiro no último dia. Os patrícios gostam mesmo é de comprar cuero
PS: Foi a minha terceira ida a Buenos Aires, e mais uma vez pude verificar que o argentino da piada só existe em anedota. Eu fui muito bem tratado em todos os lugares, e não apenas por quem estava tentando me vender alguma coisa. Argentino só é intragável em jogo da seleção – não há nada mais desleal do que jogador argentino em partidas contra o Brasil. Eu lembro de duas agressões grotescas em dois jogos diferentes das eliminatórias na Argentina, se eu não me engano as duas contra Cafu, uma do Simeone e outra do Kili González. Faltas para quebrar a perna. O juiz, claro, não expulsou nenhum dos dois


