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Simpáticas, apetitosas, trabalhadeiras
Declaração peremptória: eu não tenho nojo de formiga. Vi recentemente aquele filme, Estômago, que é bastante nojento, mas não me enojei especificamente com a cena em que os prisioneiros comem formigas fritas. E tem algo mais irritante do que novas teorias jornalístico-científicas que tentam jogar por terra nossas crenças mais aferradas e queridas da infância? Pois não é que eu não li outro dia que formigas são sujas sim, que freqüentam ambientes de higiene pouco recomendável (ok, eu admito que sim, mas em toda uma vida de observação da natureza nunca notei que formigas fossem particularmente apegadas – e está bem empregado aqui – a cocô), e que, portanto, você deve ter nojo sim daquelas formiguinhas passeando no açucareiro, quase tanto quanto o que você sentiria se houvesse uma barata lá dentro. Bull shit! Recuso-me a ter nojo de formiga – com as camadas mais profundas e constitutivas do nosso ser não se mexe.
E subitamente me pus a pensar em como tratamos de forma abjeta as formigas. Existe até uma palavra, formicida, que obviamente é apenas um pulo até ‘formicídio’, para designar um dos agentes dos massacres constantes a que submetemos esta inocente (uma picadinha de formiga, sempre em legítima defesa, não é o fim do mundo, convenhamos) e simpática espécie. A humanidade não está nem aí. Falamos em formicídio como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem um pingo de remorso, sem a mais leve sensação de culpa coletiva. Agora, ai de quem jogar um hamster pela janela do quarto andar (tenho um amigo que fez isto, juro). Vira na mesma hora um monstro, um assassino, um destruidor, estuprador da mãe natureza.
Estou meio sem inspiração para terminar este post. Acho que vou interromper por aqui e dar um pulo na cozinha para colocar o açucareiro na geladeira. Está juntando um monte de formiga


