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Eu já não tenho simpatia por índio, e histórias como esta só fazem piorar a imagem que eu tenho da categoria. Reportagem da Folha de ontem mostra que cerca de 20 das 200 etnias indígenas que existem no país ainda praticam o infanticídio. Gêmeos, por exemplo, são mortos por serem considerados uma maldição. A prática também ocorre no caso de “filhos de mães solteiras, crianças com problema mental ou físico, ou doença não identificada pela tribo”. É o humanismo do bom selvagem.
Quando leio esse tipo de coisa, os meus instintos etnocêntricos falam mais alto. Como sou antiquado e preconceituoso, fico horrorizado com essas tradições, assim como acho inaceitável que alguns muçulmanos extirpem o clitóris de suas filhas. São culturas piores – isso mesmo, piores – do que outras que prezam valores como os expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ainda que na prática poucas sociedades a sigam na íntegra, o simples fato de o documento existir mostra um avanço em relação a outras que têm entre suas tradições o infanticídio ou a extirpação do clitóris. Eu não hesito em celebrar a superioridade de uma cultura que preza o respeito aos direitos e às liberdades do homem, além de proclamar a tolerância à diferença. O etnocentrismo pode ser um humanismo


