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Mais uma eleição se aproxima, e mais uma vez eu devo anular o voto. Os prováveis candidatos à prefeitura de São Paulo são péssimos. O pior de tudo é que os dois principais postulantes à vaga – Geraldo Alckmin e Marta Suplicy – não têm o menor interesse no cargo. Ambos se acham capacitados a vôos mais altos. A prefeitura será um fardo para eles, de olho no governo de São Paulo ou na presidência. Se ganharem a eleição, vão fazer o possível para repetir o que fez José Serra em 2006. É muito provável que uma das cidades mais complexas do mundo tenha como prefeito alguém que só pensa em outro cargo.
Alckmin mostrou toda a sua mediocridade na eleição de 2006. Por teimosia, impôs a sua candidatura. Poucas vezes houve um candidato tão vazio. Ninguém sabia muito bem qual era a sua proposta para o país – provavelmente nem ele. No segundo turno, conseguiu virar refém da estratégia petista. Para rebater o carimbo de privatista, posou para uma fotografia com uma jaqueta com o logotipo de várias estatais. Ridículo. Os resultados dos alunos paulistas nos testes de ensino mostram ainda que a sua gestão à frente do governo de São Paulo foi muito mal em educação. O Estado mais rico do país tem mostrado um desempenho pífio nos exames de avaliação de estudantes. Obra de Gabriel Chalita – e, claro, de Alckmin.
Marta Suplicy é outra que só engana os incautos. Deixou a prefeitura em péssima situação financeira e fez obras discutíveis e desnecessárias, como os túneis da Rebouças. Uma iniciativa importante como o Bilhete Único não absolve quem quebrou as contas da cidade. Quem usa o sistema de saúde da prefeitura também reclamava muito da situação na gestão da petista. Marta gosta de posar como vítima do preconceito, dizendo que isso a fez perder a eleição de 2004. Bobagem. Tidos como preconceituosos, os paulistanos já colocaram todo tipo de gente na prefeitura. Elegeram um populista maluco em 1985, uma nordestina de esquerda em 1988, um descendente de libaneses desonesto em 1992, um negro desconhecido em 1996 e uma sexóloga de esquerda em 2000. Quando era menos conhecida, Marta venceu a eleição contra Paulo Maluf e Alckmin. Em 2004, enfrentando um candidato forte como José Serra, perdeu o pleito porque a maior parte da população não quis que ela continuasse. Quando era menos conhecida, foi eleita. Quando era mais conhecida, perdeu. É o oposto do preconceito.
Gilberto Kassab pertence ao Democratas, o que para mim já basta. Em São Paulo, o PFL era a linha auxiliar do malufismo, sinônimo do que há de pior na política brasileira. Kassab, vale lembrar, foi secretário de Planejamento de Celso Pitta, um dos piores prefeitos que qualquer cidade do mundo já teve. Eu não esqueço esses detalhes. Para mim, eles não são secundários. Eu tampouco aprovo a sua gestão. O projeto Cidade Limpa é legalzinho? É, mas não basta. Quem usa o sistema de saúde da cidade diz que o quadro é bastante crítico. As idas e vindas na questão do trânsito mostram um sujeito perdido, querendo tomar iniciativas de impacto, mas sem analisá-las com cuidado. Ah, dizer que a Cracolândia não existe mais também é algo ridículo. Ela apenas mudou de lugar, como mostraram várias reportagens nos últimos meses.
Para finalizar, os três tentam atrair Orestes Quércia, oferecendo a candidatura a vice ao PMDB e prometendo apoiar o ex-governador na disputa pelo Senado em 2010. Mendigam apoio político e o tempo na televisão do PMDB. Quércia não dá. Em termos de honestidade, se equipara a Maluf. É, como Maluf, o que há de pior na política brasileira. Quebrou o Estado quando o administrou. É um política ultrapassado e clientelista, mas Alckmin, Marta e Kassab rastejam em troca de seu apoio. Isso dá uma medida do baixo nível que passou a dominar a política no Brasil nos últimos anos.
Anular o voto equivale a deixar os outros escolherem por você, diz o chavão. Pode ser. Mas quando as opções são muito ruins, eu prefiro escolher não escolher. Eu anulei o voto para presidente, governador e senador em 2006. Fico feliz em não ter dado o voto para nenhum dos candidatos. Nada do que eles representavam me agradava. Anular o voto, em situações como essa, dá uma sensação de liberdade maravilhosa. Eu não compro mais essa idéia de que votar é escolher o menos pior. Se todos são ruins, paciência. Eu não voto em ninguém.
PS: Ah, tem a Soninha. Como eu já disse neste post, ela parece bem intencionada, mas é uma candidata café com leite. E eu também não voto em candidata café com leite


