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De um artigo de Marcos Nobre hoje na Folha:
"E, no entanto, um programa como o Bolsa Família foi em grande medida conquistado contra a ortodoxia econômica, mesmo se esta depois adaptou a idéia à sua própria lógica."
Mentira, claro. Ok, desinformação, sejamos bonzinhos. Nunca vi um economista ortodoxo contra o Bolsa-Família. E olha que conheço pencas deles. Muitos defendiam transferências focadas de renda aos mais pobres bem antes de surgir o BF. E houve o célebre xingamento (idiota, imbecil, não me lembro o epíteto) da Maria da Conceição Tavares, musa (e dá-lhe de destruir palavras, por Toutatis!) da esquerda, direcionado ao Marcos Lisboa, então secretário de Política Econômica da Fazenda. Crime do Lisboa? Defender as transferências focalizadas nos mais pobres, ou em outras palavras, o Bolsa-Família, antes do programa surgir, quando Lula ainda perdia tempo com a debilidade-mental do Fome Zero. Conceição achava um acinte que algum programa não fosse "universal" - isto é, dirigido a todo mundo, e não apenas aos pobres. Na época, quando verifiquei que parte celebrada da esquerda era contra dar dinheiro aos pobres, quase sentei no meio-fio para chorar de desânimo. Graças a Deus Lula não foi idiota e teve o meritíssimo de lançar o Bolsa-Família com força total. E hoje temos apenas o Ali Kamel, as senhoras de Ipanema que lêem o Ali Kamel e o Reinaldo Azevedo contra o Bolsa-Família. Mas eu já vi muito intelectual de esquerda, da pesada, falando mal do programa, além da Conceição. Hoje estão calados. O mico sobrou na mão do Kamel, que é de direita. Vai ver que é isso que está confundindo o Marcos Nobre


