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Eu fiquei uma semana fora do país, teve até terremoto nesse período, mas o assunto do momento continua a ser o assassinato de Isabella Nardoni. É insuportável. Eu não agüento a cobertura em tempo integral de um assunto que não merece esse acompanhamento maciço e sensacionalista - e aqui vou discordar de parte do que a Nariz Gelado e o Filthy McNasty, nossos bravos companheiros no Apostos, escreveram nestes dois posts.
O crime é bárbaro e chocante, como diria o conselheiro Acácio, e não há quem não fique indignado com o assassinato de uma criança indefesa. A questão é que, por mais evidências que existam nesse caso, o pai e a madrasta ainda não foram julgados e condenados. Foram indiciados e são os principais suspeitos, é certo, mas a atitude asquerosa da polícia e do promotor, vazando informações e dando entrevistas a todo momento, já os mostra como culpados.
Grandes redes de televisão e revistas, que em tese fazem jornalismo sério, recorrem a expedientes típicos de programas como o Aqui Agora. Isso fica evidente quando a Globo interrompe a programação normal e fica três horas sem exibir comerciais para acompanhar o caso. O discurso de que o assunto é relevante e merece essa cobertura full time não convence, pelo menos não a mim. O que há é desespero por audiência. Os pudores de fazer uma cobertura como a do jornalismo mais sensacionalista já foram para o vinagre. Junte isso ao oportunismo da polícia e do promotor e fica esse circo em cima de um assunto que, por mais hediondo que seja, não deveria monopolizar a atenção.
Para completar o quadro de horrores, aparecem aqueles cães hidrófobos que ficam gritando mata! lincha! quando o pai, a madrasta e os familiares da criança vão depor. Por mais chocante que seja o crime, eu fico chocado com esse comportamento fascista de gente disposta a linchar suspeitos - por enquanto, é isso o que eles são. Aliás, eles merecem ser tratados com dignidade, antes, durante e depois do julgamento, mesmo que sejam culpados. Se eles forem julgados e condenados, que fiquem muito tempo na cadeia, mas só depois do julgamento e da condenação. A não ser que haja quem prefira o linchamento público antecipado, o que não me parece uma boa idéia


