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O obscurantismo segue firme no Brasil. Na Folha de hoje, eu descubro que acaba de ser fundada a Associação Jurídico-Espírita (AJE) de São Paulo. Uma das teses da AJE é que cartas psicografadas sejam usadas por tribunais. "Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim ou por você e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém", diz na reportagem Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mais adiante, o repórter conta que levantou “quatro decisões em que cartas psicografadas, supostamente atribuídas às vítimas do crime, foram usadas como provas para inocentar réus acusados de homicídio”. É isso aí que você leu. Esse critério sofisticado e moderno influencia decisões judiciais no Brasil.
Já que parece inevitável, faço duas sugestões que podem melhorar o uso desse instrumento tão importante para se chegar à verdade. O primeiro é a contratação de médiuns pelo Judiciário. A medida é fundamental para evitar que médiuns mal intencionados ou sem isenção influenciem a Justiça. A Zibia Gasparetto pode ajudar a definir critérios para selecionar o pessoal. Pena que Chico Xavier não esteja mais por aqui – se bem que talvez a dona Zíbia possa contatá-lo e pedir para ver se ele não pode dar uma mãozinha.
A outra sugestão é simples. Em alguns julgamentos de homicídio, o tribunal do júri, em vez de ouvir as intermináveis perorações do advogado de defesa e do promotor, deveria lançar mão da brincadeira do copo. Como se sabe, é algo infalível e rejeitado apenas pelos céticos de plantão. Se bem aplicada, evitará injustiças e economizará tempo e dinheiro aos cofres públicos


