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Se um dia eu parar de culpar a necessidade de ganhar dinheiro ou a minha lendária preguiça, vou tomar vergonha na cara e dedicar um tempo para estudar a sério a pintura holandesa do século 17. A qualidade da arte da época é absurda. Mesmo muitos dos pintores menos conhecidos do período são muito bons. Veja o caso de Schalcken, autor dos dois primeiros quadros que ilustram este post. Eu vi as suas pinturas pela primeira vez em 1996 – acho que duas ou três – no Museu do Prado, e fiquei impressionado. Eram obras de dimensões pequenas, explorando o efeito da luz de velas sobre o rosto de um ou dois personagens e também sobre objetos, em interiores delicados. Este quadro aqui, por exemplo, tem 19 por 16 centímetros. Dois anos depois, vi mais um ou dois Schalckens na National Gallery, em Londres.

Mas, por mais interesse que eu tenha nos quadros de Schalken, ele não chega aos pés de Vermeer e Rembrandt. Em minha viagens, eu costumo dar sorte com exposições. Em 2001, vi uma de Vermeer no Metropolitan, em Nova York. Há pouco mais de 30 quadros do pintor, e a exposição tinha algo como 20. Além disso, era só atravessar a rua e ver mais três na Frick Collection. Vai demorar para haver outra exposição de Vermeer como aquela. Como eu sabia disso, fui vê-la duas vezes, para não esquecer do tratamento da luz inigualável, dos interiores elegantes, das figuras femininas simples e enigmáticas.
Em 2006, eu estava em Amsterdã, e a cidade estava tomada pelas homenagens aos 400 anos de Rembrandt. Vi três exposições maravilhosas, uma no Rijksmusem, uma na Rembrandt Huis e outra no Museu Van Gogh - esta última também com quadros de Caravaggio. Uma melhor que a outra. Fiquei impressionado não apenas com a versatilidade de Rembrandt, mas também com a sua precocidade. Mesmo no começo de carreira, pintou quadros muito bons. Vi muitos de seus auto-retratos. Eu me lembro de ter lido que, muito mais do que "investigações implacáveis de si mesmo", Rembrandt os pintava porque percebeu que havia um mercado cativo para essas obras. São quadros maravilhosos, e provavelmente os meus preferidos. Mas Rembrandt era tão genial que fazia também obras-primas monumentais, como The night watch, além de ser um mestre na gravura.
Quando vejo quadros dos pintores holandeses do século 17, eu lembro de uma frase de Drummond da qual gosto muito: “Acho que a literatura, tal como as artes plásticas e a música, é uma das grandes consolações da vida, e um dos modos de elevação do ser humano sobre a precariedade de sua condição”. Para terminar o post, deixo vocês na companhia de um Rembrandt



