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Então é isso aí. A Folha mostra hoje que Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto para falar com Lula, duas delas para tratar diretamente da venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson. Lula é o verdadeiro homem cordial. Não dá nenhuma importância às distinções entre o público e o privado e não vê nenhum problema no fato de seus amigos e familiares se beneficiarem do fato de ser presidente. Esse caso é muito mais grave que o dos gastos com cartões corporativos, mas não parece chamar tanto a atenção. Parece que há uma fadiga de escândalos, mais isso não torna o tráfico de influência menos obsceno.
No campo da ética, Lula tem se comportado de modo abominável. Absolve qualquer um – Antonio Palocci, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Matilde Ribeiro, é tudo gente injustiçada. É óbvio que um presidente não pode permitir que um amigo como Roberto Teixeira transite com desenvoltura no Planalto, ainda mais se tem negócios que dependem, em maior ou menor medida, de decisões ou da influência do governo. Para Lula, porém, isso não é problema.
E não me venham dizer que ocorreram coisas semelhantes em outros governos. Acho que não houve na administração Fernando Henrique Cardoso um equivalente a Roberto Teixeira. E, mesmo que tenha havido, é grotesca essa tática de inocentar Lula com crimes e erros de seus antecessores. Eu teria vergonha de usar um argumento desses para defender alguém que eu admiro


